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Obesidade é reconhecida como doença crônica e que requer cuidado contínuo, diz nova diretriz

Diferentemente da abordagem anterior, de 2016, a nova diretriz valoriza a individualização do tratamento, com base em fenótipos alimentares, padrões comportamentais e características genéticas, sociais e psicológicas dos pacientes
Um bilhão de pessoas sofrem com a obesidade no mundo (Foto: Reprodução/ Unsplash)

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) lançou, nesta semana, a nova Diretriz Brasileira para o Tratamento Farmacológico da Obesidade, considerada um marco para a prática clínica no país. O documento atualiza os parâmetros para o cuidado de pacientes com obesidade, reconhecendo a condição como uma doença crônica que exige tratamento contínuo, individualizado e baseado em evidências científicas.

Elaborada com o apoio de 15 sociedades médicas, a diretriz reúne 35 recomendações voltadas a médicos, gestores de saúde e profissionais de diversas áreas. Ao contrário de abordagens anteriores, que tinham como foco a normalização do Índice de Massa Corporal (IMC), a nova diretriz prioriza a funcionalidade, a qualidade de vida e a individualização do tratamento. Entre as principais propostas está a adoção de metas mais realistas e clinicamente relevantes, como a perda de pelo menos 10% do peso corporal, focando na melhora de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, osteoartrose e doença hepática.

“É uma mudança de paradigma. O objetivo não é mais apenas normalizar o peso, mas sim promover saúde, funcionalidade e qualidade de vida com metas possíveis e sustentáveis”, explica o endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Abeso.

Diferentemente da abordagem anterior, de 2016, a nova diretriz valoriza a individualização do tratamento, com base em fenótipos alimentares, padrões comportamentais e características genéticas, sociais e psicológicas dos pacientes. O documento também reforça a decisão compartilhada entre médico e paciente, inclusive sobre o início precoce do tratamento medicamentoso.

As medicações indicadas foram categorizadas conforme perfil de eficácia, segurança e tempo de tratamento. Entre os fármacos destacados estão a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida, que demonstraram benefícios significativos em grandes ensaios clínicos, incluindo redução de eventos cardiovasculares e de incidência de diabetes tipo 2. “A gente tem indicado medicações para obesidade mesmo antes das mudanças no estilo de vida, quando apropriado. Levamos em conta não só o IMC, mas também medidas de adiposidade e comorbidades”, explica o endocrinologista Fernando Gerchman, coordenador do grupo de trabalho que elaborou a diretriz.

Além disso, o documento contraindica o uso de fórmulas com substâncias não validadas, como diuréticos e hormônios, por representarem riscos à saúde. Outro alerta importante é que o tratamento da obesidade deve ser contínuo, com reavaliações frequentes.

As informações são da Agência Brasil.