O Ceará se destaca como o segundo Estado brasileiro com maior número de transplantes de córnea realizados em 2023, de acordo com estatísticas do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Durante o período de janeiro a junho deste ano, foram realizados 535 procedimentos desse tipo em solo cearense, resultando em uma taxa de 121,7 transplantes por milhão de habitantes. São Paulo lidera o ranking nacional, com 2.979 cirurgias realizadas no mesmo período. Atualmente, o Ceará também fornece córneas para outros estados do Brasil, enviando cerca de 30% dos tecidos captados mensalmente.
“O Ceará está há muitos anos no ‘top cinco’ das estatísticas de transplantes e esse é um dado muito positivo, que merece ser destacado. Isso se deve às parcerias que a Sesa soube construir com outras instituições em todos esses anos”, destaca Eliana Barbosa, orientadora da célula do Sistema Estadual de Transplantes da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
Segundo ela, do ponto de vista técnico do Ministério da Saúde, a fila de transplantes de córnea no Ceará é considerada zerada. Os pacientes que necessitam de um transplante de córnea atualmente podem realizar o procedimento em um curto espaço de tempo, geralmente um mês, 15 dias ou até menos, dependendo da disponibilidade das equipes de transplantadores.
Outra estratégia que contribuiu para a marca no Ceará foi a criação do Banco de Olhos no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), em 2006. O serviço opera 24 horas e já realizou 51 procedimentos somente neste ano, atendendo tanto à população cearense quanto à demanda de estados vizinhos. A atuação conjunta dessas instituições e a implementação de ações estratégicas foram fundamentais para o Estado se tornar uma referência na realização desses procedimentos.
FILA ZERO
Uma colaboração notável foi estabelecida entre a Sesa, a Perícia Forense do Estado (Pefoce) e o Instituto Banco de Olhos do Ceará (IBOC), resultando em um aumento nas captações de córneas no Estado e na eliminação da fila de espera por esse tecido desde 2016. O termo “fila zero” é estabelecido pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e indica que os pacientes não precisam aguardar mais de um mês para receber uma córnea. Desde o início das captações na Pefoce, em 2016, o IBOC já recebeu 6.862 córneas.
“Com essa equipe, podemos abordar mais pessoas, inclusive as que não sofreram óbito nos hospitais, e assim termos mais oportunidade de doações”, aponta Eliana.
