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Covid-19: 8 a cada 10 cearenses não se vacinaram com a dose bivalente

A postura é considerada um risco diante do surgimento da subvariante a EG.5, também conhecida como “Eris”, originada da variante Ômicron
Foto: Arquivo/CMFor

Oito a cada 10 pessoas ainda não tomaram a dose da vacina bivalente contra a covid-19 no Ceará. Em um universo de 7,6 milhões de cearenses, apenas 1,2 milhão fizeram uso do imunizante, até a última quinta-feira, 17. A postura é considerada um risco diante do surgimento da subvariante a EG.5, também conhecida como “Eris”, originada da variante Ômicron, e que tem um maior potencial de transmissão. A doença já foi identificada no Brasil, em São Paulo, diagnosticada em uma mulher de 71 anos. Segundo informou o Ministério da Saúde, a paciente já foi curada e estava com o esquema vacinal completo.

As informações foram divulgadas no site oficial da Câmara Municipal de Fortaleza nesta segunda-feira, 21.

Neste cenário, a Casa aderiu ao Pacto Nacional pela Consciência Vacinal, uma ação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), promovida pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). O presidente Gardel Rolim (PDT) assinou o Termo de Adesão no último dia 10, em solenidade realizada na sede do MPCE, que contou com a presença de diversas autoridades, que fizeram apelos e criticaram a disseminação da desinformação a respeito dos imunizantes.

“O Plano Nacional de Imunização é desenhado em nível nacional, coordenado pelo Ministério da Saúde e tem representação mundial. A vacina foi capaz de erradicar doenças como paralisia infantil, por exemplo. Não tínhamos mais o foco da doença no Brasil, mas grupos que pregam contra as vacinas ganharam força nos últimos anos. Hoje, encontramos famílias que acham desnecessária a vacinação. Então, movimentos como esse que o Ministério Público faz, obviamente, ancorando outras instituições, como nós da Câmara, é muito necessário. Precisa ser difundido”, afirmou Gardel.

A postura de negligenciar as vacinas, por negacionismo ou falta de cuidado, é criticada por especialistas, sobretudo em um cenário vigente de pandemia. Indiferença que tem trazido de volta doenças já erradicadas, a exemplo do sarampo, que havia sido eliminado do Brasil em 2016, mas retornou, em 2018, quando mais de 10 mil casos foram confirmados. A baixa cobertura vacinal também pode trazer de volta doenças como a poliomielite, a rubéola e a difteria.

Estudo da Unicef apontou que entre os motivos da negligência para com as vacinas está a baixa percepção entre os pais e responsáveis sobre o risco dessas doenças, sobretudo por não terem vivido nos anos em que elas faziam vítimas. Não imunizar as crianças, portanto, pode colocar todos em risco.

PROGRAMA NACIONAL

Na abertura do evento, o procurador-geral de Justiça, Manuel Pinheiro, ressaltou que, durante muito tempo, o Programa Nacional de Imunizações era motivo de orgulho para o País, mas que nos anos de pandemia do Coronavírus a segurança e a eficácia das vacinas foram colocadas em dúvida.

“Se antes a população brasileira tinha uma plena confiança no Programa, infelizmente, esse momento da pandemia da covid-19 nos trouxe muita desinformação, nos trouxe contrainformação, nos trouxe prejuízos imensos, porque a queda da confiança nas vacinas por uma parcela significativa da população brasileira traz consigo o risco do retorno de doenças preveníveis, que já estavam erradicadas no nosso país”, disse, na ocasião.

Presente na solenidade, o governador do Estado, Elmano de Freitas, elogiou a iniciativa de colocar o Ministério Público à frente dos debates sobre a importância da vacinação. O vice-prefeito de Fortaleza, Élcio Batista, representou o prefeito José Sarto e anunciou que a Prefeitura, em parceria com o Governo do Estado, desenvolve um programa para que as crianças sejam vacinadas nas escolas. Estado e Município também aderiram ao pacto.

Na Capital, em 2022, 74% das crianças com menos de 1 ano e 71% das crianças entre 1 e 4 anos receberam o esquema vacinal completo. Em 2021, cerca de 70% das crianças nas duas faixas etárias concluíram seu esquema vacinal. O patamar preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95%.