O Ceará está abaixo da meta de vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV, do inglês Human Papiloma Virus), estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a meta, era esperada a cobertura vacinal de 80% em todo o Brasil, mas nenhum estado e nenhuma capital alcançou o feito. A doença é a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais comum.
O estudo, da Fundação do Câncer, divulgado no domingo (26), data do Dia Mundial da Prevenção do Câncer de Colo do Útero, teve como base os registros de vacinação do PNI de meninas entre nove e 14 anos, de 2013 a 2021; e de meninos de 11 a 14 anos, de 2017 a 2021. O estudo mostra, ainda, que até 2030, o Brasil não deve atingir a meta necessária para a eliminação da doença, que constitui problema de saúde pública.
Ceará
No Ceará, de acordo com a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), cerca de 45 mil doses do imunizante são enviadas, mensalmente, aos 184 municípios do Estado. A secretaria informa que a distribuição é realizada conforme a estimativa local do público-alvo da vacinação.
A Sesa comunicou, ainda, que cada município deve criar suas próprias estratégias para imunizar a sua população. O órgão responsável pela saúde no Ceará disse que “a disseminação de notícias falsas e a pandemia de covid-19 são fatores que podem ter contribuído para a cobertura vacinal verificada atualmente”.
“A Sesa orienta os municípios cearenses sobre as ações de fomento à vacinação, tais como a realização de busca ativa por faltosos, não vacinados ou com esquema vacinal incompleto, divulgação da importância da vacinação nos meios de comunicação, identificação de locais estratégicos para a imunização, registro das doses aplicadas em tempo oportuno nos sistemas oficiais e solicitação às escolas para o alcance das coberturas vacinais”, informou a secretaria em nota.
Na Capital, Fortaleza, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que a vacina contra o HPV é disponibilizada gratuitamente em todos os postos de saúde do município, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para meninas e meninos de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias. Além desta população, homens e mulheres imunossuprimidos, de 9 a 45 anos, que vivem com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes oncológicos, também podem receber as doses do imunizante.
De acordo com a SMS, entre os anos de 2014 e 2022, 165.357 meninas receberam o imunizante contra o HPV com 2ª e 3ª doses e entre os anos de 2017 a 2022, 51.835 meninos foram vacinados em Fortaleza. A Capital foi a primeira do Nordeste na cobertura vacinal da primeira dose (81,9%) e na segunda dose (60,1%). Apesar disso, a cidade ainda está abaixo da meta nacional de vacinação contra o HPV.
Especialista
Manuela Cavalcante, ginecologista e especialista em patologia do trato genital inferior pelo Hospital Sírio Libanes, informou que, além das verrugas genitais, os sintomas do HPV podem ser acompanhados de coceiras e desconforto na região genital. “No caso de lesões pré-cancerosas, estas são assintomáticas e detectadas apenas pelo exame preventivo”, completou. Acerca das pessoas assintomáticas, aliás, Manuela disse que esta é a principal forma de apresentação do vírus, e que a maioria das mulheres que possuem a infecção pelo HPV são assintomáticas.
De acordo com a ginecologista, a vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano é a principal forma de combater o câncer de colo uterino. “O câncer de colo uterino é um câncer considerado prevenível, mas apesar disso, é ainda uma importante causa de morte entre as mulheres em Fortaleza e no estado do Ceará”, afirmou. “É importante que os adolescentes na faixa etária de 9 aos 14 anos se vacinem, tendo em vista que, nessa faixa etária, se imagina que as crianças não tenham entrado em contato com o vírus, e associado ao seu melhor estado imunológico, eles apresentam uma melhor resposta a vacina, aumentando a sua eficácia”, acrescentou a médica, informando a importância da vacinação ainda na adolescência.
Ainda segundo ela, pessoas infectadas com subtipos de maior risco, como o HPV16 e o HPV18, possuem maiores riscos de desenvolver lesões pré-cancerosas no colo do útero, levando a uma maior chance de desenvolver tal tipologia cancerígena “O HPV também pode estar associado ao desenvolvimento de lesões benignas na região genital, as verrugas genitais, que por sua vez, não representam um risco de câncer, mas levam a um impacto na saúde sexual e sintomas como coceira e desconforto”, concluiu.
