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RMF sem mortes por covid-19 nos dois primeiros meses de 2023

Número de casos na grande Fortaleza no começo de 2023 é bem menor comparado ao mesmo período do ano passado; porém, atenção pós-Carnaval deve ser redobrada
Reprodução

De acordo com dados do IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) não apresentou nenhum óbito por Covid-19 em 2023. Do começo do ano até o dia 22 de fevereiro, foram confirmados 647 casos em um total de 11.846 exames realizados. Neste mesmo período, mas em 2022, a RMF possuiu 132.002 confirmados de Covid-19, com um total de 955 óbitos.

A RMF é a sexta maior região metropolitana do Brasil, e engloba 19 municípios (Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Paraipaba, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Trairi). Desde o início da pandemia, enquanto o índice de letalidade da área era maior do que da média cearense.

Em meados de agosto de 2020, inclusive, informações do Ministério da Saúde mostravam que Fortaleza era a capital com a maior taxa de mortalidade do Brasil. Dados do dia 8 de agosto de 2020 informavam que, em Fortaleza, haviam 138,2 mortes a cada 100 mil habitantes. Considerando todo o território nacional, esta taxa era de 46,9 óbitos a cada 100 mil habitantes.

Cuidados

Mesmo com as festividades no final do ano passado, com seu consequente aumento de casos, ainda não foi identificado nenhum óbito na RMF em 2023. Lígia Regina Franco Sansigolo Kerr, doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e professora titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica o motivo da queda no número de óbitos por Covid. “Uma das coisas que explica a queda de óbitos e internações é a vacinação. A vacinação, sem dúvida, mesmo tendo caído a sua proteção, ela ainda é o nosso grande coringa e que nos protege do óbito e das internações, porém não protege contra infecção”, disse.

Além da queda do número de óbitos na RMF, apenas 647 casos de Covid foram confirmados na região metropolitana até o dia 22 de fevereiro, de acordo com o IntegraSUS. Sobre isso, a doutora explica o motivo. “Como os óbitos aparecem pouco, os casos não estão sendo diagnosticados. Há pouco teste. Se você quiser, tem que pagar na farmácia, e os testes de farmácia não são tão bons que nem os testes de PCR, que são melhores, identificam melhor o vírus. Assim, a doença está rolando, o vírus está rolando, mas muitos dos casos não são diagnosticados”, afirmou a professora.

Lígia informou, entretanto, que, neste período pós-Carnaval, há chances de aumento no número de casos novamente. “ É muito possível que, principalmente no carnaval, onde se dança muito perto, onde se abraça e se beija, deva aumentar o número de casos. A gente vai achar se testar, se a gente não testa, não acha”, conta a médica.

Mas a médica faz um alerta: “Precisa se cuidar, precisa se proteger. As pessoas de 60 anos ou mais ou imunodeprimidas, com algum problema de saúde grave, deveriam usar máscaras, principalmente em locais fechados”, completou.

No cenário nacional, apenas nove estados ainda atualizam os dados diários da doença. Os demais 18 estados não apresentam casos ou óbitos aos finais de semana, e três destes reportam as informações apenas uma vez por semana. As informações divulgadas pelas Unidades Federativas (UFs) não garantem o cenário real da doença, por esse motivo, o Ministério da Saúde vai passar a publicar os dados sobre a Covid-19 semanalmente a partir do dia 7 de março.