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18 de julho de 2024

Rota da Cachaça: um ode à tradição e ao sabor da bebida em Fortaleza

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Bebida tem expressivo valor regional e faz parte do cenário brasileiro desde o período colonial. Produto é o centro das atenções da Rota da Cachaça, que se inicia hoje na Capital

Giovana Brito
Especial para OPINIÃO CE
giovana.brito@opiniaoce.com.br

Embaixada da Cachaça é um dos locais que participam da iniciativa da Setfor (Foto: Natinho Rodrigues)

A Rota da Cachaça volta a acontecer em Fortaleza nesta quarta-feira, 20, e vai oferecer a moradores e turistas um programa que reúne a degustação de diferentes tipos de destilados harmonizados com petiscos regionais. Além disso, irão descobrir curiosidades e mais sobre a história da bebida que é uma das mais populares do Brasil.

O projeto é promovido pela Secretaria do Turismo de Fortaleza (Setfor). A cachaça tem um expressivo valor regional e faz parte do cenário brasileiro desde o período colonial, quando, no litoral brasileiro, os portugueses intencionalmente improvisaram uma bebida destilada a partir da fermentação e destilação de derivados do caldo da cana-de-açúcar, conseguindo os mesmos efeitos da bebida.

“Os primeiros registros de produção de cachaça no Brasil, foram em 1532, então a cachaça faz parte da nossa cultura, desde o início da colonização. No Ceará, nós já tivemos vários polos produtores no passado. Tivemos a região de redenção, Mombaça no Cariri, além da Serra da Ibiapaba. E como nos anos 60, 70 era um produto muito barato e vinham de produções familiares, muita coisa ficou no meio do caminho. E hoje com a valorização da cachaça, tem muita gente procurando um reposicionamento do mercado, procurando melhorar o produto e que fique em igualdade com os melhores do país”, relata Altino Farias, proprietário da Embaixada da Cachaça.

Cinco estabelecimentos de diferentes bairros de Fortaleza integram a Rota da Cachaça – Arupempa/Complexo Pirata, Cantinho do Frango, Embaixada da Cachaça, Giz Cozinha Boêmia e Raimundo do Queijo.

O QUE VAI ROLAR NO TOUR
No tour, além de rótulos clássicos, produzidos de forma industrial e armazenados em tonéis de inox, as degustações contemplam cachaças armazenadas nas madeiras mais largamente utilizadas para o envelhecimento da bebida, como jamburana, bálsamo e carvalho, dentre outras. A cachaça pode ser consumida de várias formas: pura, gelada ou misturada com outras bebidas, formando os famosos drinks e coquetéis.

“A cachaça é uma das bebidas mais versáteis. Pode ser consumida pura em temperatura ambiente ou gelada, também servida em coquetéis variados. Você pode botar pra gelar e tirar da geladeira que não se perde. Pode abrir a garrafa desde que vede bem depois e então pode consumir ela aos poucos. A indicação é que evite calor e sol para qualquer produto e inclusive não tem prazo de validade” disse Farias.

Embora tenha sido pensada para funcionar às quartas-feiras, quando os estabelecimentos terão um profissional disponível para dar informações sobre as cachaças oferecidas, a Rota da Cachaça pode ser feita também nos outros dias da semana, de acordo com os horários de cada local participante. A diferença é que o cliente pode não conseguir tirar suas dúvidas sobre o destilado. A Rota da Cachaça Fortaleza pode ser feita de acordo com o gosto do freguês: em grupo, sozinho, toda ela em um só dia ou ao longo de vários dias.

IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
O Ceará é o terceiro maior gerador de empregos por meio do destilado, atrás apenas de São Paulo e Pernambuco. Ao todo, a indústria da cachaça gera mais de 600 mil empregos, sejam eles diretos ou indiretos. O Brasil possui atualmente a capacidade de produção de cerca de 1,2 bilhão de litros de cachaça por ano, com mais de 40 mil produtores e 4 mil marcas diferentes.

A grande maioria destes produtores se enquadra no sistema de microempresa, correspondendo a 99% do total, segundo o Instituto Brasileiro de Cachaça. Atualmente, as exportações chegam a 60 países – em 2012, a base de empresas exportadoras contava com 90 empresas, que exportaram um total de 8,06 milhões de litros e geraram uma receita de US$14,99 milhões. Entre os principais países compradores de cachaça brasileira estão Alemanha, Portugal, Estados Unidos, França e Paraguai.

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