Guardião da Mata Atlântica e refúgio de espécies endêmicas do Ceará, o Maciço de Baturité se destaca na preservação da biodiversidade. O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Ceará (CERBMA/CE) concentra seus esforços na conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida das comunidades locais.
A região recebe, nesta semana, um conjunto de atividades da Assembleia Legislativa do Estado e é foco político e econômico. Marcando o momento, o OPINIÃO CE reúne, nesta edição especial, elementos que destacam o Maciço de Baturité, composto por 13 municípios, como uma das mais importantes regiões cearenses. Na primeira reportagem da série, mostramos as marcas da história, pioneirismo e desenvolvimento da Serra. Na segunda reportagem, o OPINIÃO CE destaca a importância da economia cafeeira para os municípios, que também são marcados por suas diferentes formas de expressão cultural.
Lucas Silva, técnico da Célula de Políticas de Flora da Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), explica que o Maciço “é uma área de extrema relevância para o equilíbrio ambiental, devido à sua condição de barlavento em relação aos ventos litorais”, aponta. “A localização geográfica resulta em chuvas orográficas e alta umidade, fatores cruciais que possibilitam a existência de uma floresta pluvial única, em contraste absoluto com a vegetação da Caatinga, predominante no Nordeste. O bioma da Mata Atlântica, embora minoritário no Estado, é de valor incalculável para a preservação da biodiversidade”
Dos 184 municípios cearenses, 51 possuem áreas de Mata Atlântica e ecossistemas associados em seus territórios, incluindo municípios como Guaramiranga, Baturité, Aratuba e Mulungu, que abrigam Postos Avançados da Mata Atlântica. Os locais atuam como vitrines para a Reserva da Biosfera do bioma, demonstrando a implementação dos princípios do Programa MaB-Man and Biosphere, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em áreas protegidas, centros de pesquisa e núcleos de Educação Ambiental.

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
O Maciço também é o lar de três Unidades de Conservação (UCs): a APA da Serra de Baturité, o Refúgio da Vida Silvestre (REVIS) Periquito Cara-Suja e o Parque Estadual (PARES) Pico Alto. Em entrevista ao OPINIÃO CE, o gestor da UC Periquito Cara Suja, Wlademir Theotônio, defende a relevância do equipamento. “O Revis conta com extensão territorial de 39,12 hectares e com 855 metros de altitude, localizada na porção noroeste de Guaramiranga. Possui a finalidade de assegurar condições para a existência ou reprodução de espécies, ou comunidades da flora local e da fauna da região, além da promoção de pesquisas, com implementação de programas de reintrodução, monitoramento de fauna, educação ambiental, observação de aves, dentre outras atividades.”
Wlademir destaca ainda que outro posto na ação é a Reserva Particular Patrimônio Natural (RPPN) Serra da Pacavira, parte integrante do Sítio Horizonte Belo, situado na localidade de Monguba, em Pacoti. “Dos 34,96 ha do terreno, 96,74% foram transformados em Unidade de Conservação. Este posto também atua como refúgio para a biodiversidade local e é um polo de desenvolvimento de atividades científicas e de educação ambiental”.

Os esforços para preservar o ecossistema único incluem planos desenvolvidos pela Sema. No futuro, a pasta planeja estabelecer um Grupo de Trabalho (GT) em colaboração com a UNILAB, UFC e UECE para mapear, monitorar e mitigar a extinção de cinco espécies ameaçadas de extinção encontradas na região do Pico Alto. Lucas Silva destaca o projeto de Florestamento, Reflorestamento e Educação Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Pacoti, uma colaboração com a UNILAB, que resultou no reflorestamento de 25,5 hectares no Maciço de Baturité. “A Sema também tem incentivado os municípios inseridos na Mata Atlântica a elaborarem seus Planos Municipais da Mata Atlântica, com nove municípios do Maciço de Baturité já contemplados: Baturité, Aratuba, Mulungu, Guaramiranga, Pacoti, Capistrano, Palmácia, Redenção e Acarape”.
Reportagem de Anderson Alves*
