Em meio aos conflitos que parecem intermináveis no PDT, a Executiva nacional tem reunião marcada para a próxima sexta-feira (27), quando deve discutir a questão da legenda no Estado. O deputado estadual Osmar Baquit (PDT), aliado do senador Cid Gomes (PDT), disse acreditar que o grupo nacional deve deliberar por uma intervenção em nível estadual. O presidente nacional da legenda, de forma interina, André Figueiredo, disputa o comando da sigla no Ceará com o senador Cid. “Alguém imagina que essa reunião vai ter um desfecho diferente do que chancelar uma decisão contra o nosso grupo político?”, questionou o parlamentar.
A fala foi feita durante sessão plenária na Assembleia Legislativa do Ceará nesta quarta-feira (18), mesmo dia em que Justiça validou decisão do diretório do partido que colocou Cid na presidência estadual.
“Defendo que um grupo de deputados estaduais e federais vá até o Rio de Janeiro para mostrar que o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT [licenciado], e o deputado federal André Figueiredo podem ser os donos do partido, mas não são os donos da verdade”.
Ainda conforme Baquit, o PDT está em situação de perda de credibilidade junto à população. “É um partido que já não tem mais a confiança da maioria do povo cearense”. O deputado pontuou que só continua no partido “em respeito ao senador Cid Gomes”. “Na hora em que ele sair, eu saio junto. E ainda digo que a saída dele vai levar de 80% a 90% de eleitores e filiados do partido”, projetou.
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As colocações de Baquit geraram novas intrigas entre os correligionários. O deputado Antônio Henrique (PDT), ligado ao grupo do deputado federal André Figueiredo (PDT/CE) no PDT Ceará, lamentou que o tema seja recorrente nas sessões da Alece. “Precisamos estar tratando da fome do povo, da falta de segurança e demais políticas públicas. Mas, tive que vir fazer o contraponto. Fiquei incomodado de ficar em silêncio e precisava mostrar o outro lado”, disse.
Outro aliado de Figueiredo, Cláudio Pinho (PDT), se posicionou contrário às declarações de Baquit. Segundo ele, alguns políticos não estão mais querendo ficar no PDT. “Isso é uma história para facilitar a saída de quem não quer ficar, mas não dá para ficar se expondo e dando margem. Todos aqui são deputados e é importante que nós tratemos com respeito”, apontou.
OS CONFLITOS NO PDT CEARÁ
O estopim da rixa interna no partido veio nas eleições de 2022, quando o PDT decidiu lançar o ex-prefeito de Fortaleza e atual presidente do PDT na Capital, Roberto Cláudio (PDT), para o Governo do Estado. Para as eleições, havia um acordo entre o PT e o PDT para que a então governadora Izolda Cela (sem partido) concorresse à reeleição. A candidatura de RC, aliás, não foi bem vista entre alguns correligionários. Antônio Henrique afirmou que, em 2022, na reunião do diretório do partido, Roberto Cláudio foi escolhido após uma “decisão votada e democrática”. “Nesse caso, é preciso apoiar”, apontou.
Atualmente, os conflitos apenas se intensificaram. Na Alece, 10 parlamentares estão ligados ao senador Cid Gomes, incluindo o presidente da Casa, Evandro Leitão (PDT) – que tenta na Justiça sua desfiliação da legenda – e o líder do Governo Elmano de Freitas (PT) no Legislativo, Romeu Aldigueri (PDT). Antônio Henrique comentou também o apoio de pedetistas a Elmano.
“Até parece que o que mais importa é estar dentro do Governo, mas não é assim. Se eu acredito que Ciro Gomes e Roberto Cláudio são os melhores projetos para o povo, por exemplo, vou defender isso. Não importa quem está à frente nas pesquisas, o que importa é o que é melhor para a população”.
