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16 de julho de 2024

Reginauro será ouvido pela CPI do Motim na condição de convidado

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Depoimento é aguardado para próxima quarta. Relator da CPI, Elmano de Freitas afirma que há indícios de crimes cometidos durante paralisação ilegal de policiais

Rodrigo Rodrigues
rodrigo.rodrigues@opiniaoce.com.br

Retomada dos trabalhos estava prevista para esta semana (Foto: Junior Pio/ALCE)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Associações Militares (CPI do Motim), deve iniciar a tomada dos primeiros depoimentos na próxima semana. Na quarta-feira, 6, é aguardado o vereador de Fortaleza, Sargento Reginauro (União Brasil), ex-presidente de uma das associações analisadas pela CPI.

Em nota enviada à reportagem, o vereador confirmou que participará da oitiva. “É com muita tranquilidade que recebemos esse convite, inclusive desde quando a CPI foi iniciada na Casa já nos colocamos à disposição, através do deputado Soldado Noelio.”

Ao OPINIÃO CE, o relator da Comissão, deputado Elmano Freitas (PT), afirmou ter indícios de que entidades tenham colaborado com a realização do motim da PM em 2020, o que é crime dentro da legislação militar. Na fase anterior das investigações, os deputados coletaram documentos, quebraram sigilos bancários e resgataram imagens de câmeras de segurança para embasar a fase de oitivas.

“Pelo que estamos analisando, há indícios de que efetivamente houve colaboração por parte de alguma entidade para realização de motim. Mas, evidentemente, pode ser que tenhamos uma interpretação diferente a partir de um esclarecimento da informação”, destacou Elmano.

“A CPI iniciou com um trabalho de reunir documentação, dados bancários, demonstrações contábeis, de prestação de serviços realizados pelas entidades. Dentro dessas documentações, temos várias informações que precisam ser esclarecidas. Agora, vamos ouvir os representantes dessas entidades, outras pessoas, para que a gente possa esclarecer dúvidas e interpretações.”

Para a última terça-feira, 29, era aguardado o policial militar Clayber Barbosa Araújo, presidente da Associação dos Profissionais da Segurança (APS), como adiantado pela reportagem na última semana. O depoente, no entanto, alegou problemas de saúde e sua ida à Comissão ficou marcada para a próxima terça-feira, 5.

Questionado sobre o fato de Reginauro ser um representante do Legislativo municipal, o relator afirmou que a comissão não vai analisar o vereador, e sim “qual a posição política que ele integra.” “Como representante de uma entidade que tem deveres legais, que houve um motim, que é considerado um crime e fez com que a violência aumentasse muito no período do motim, precisamos saber se ele, na presidência, ou a entidade, confirma ou esclarece o que estamos entendendo que pode ter sido uma colaboração”, frisou o relator.

OPOSIÇÃO NA CPI
Único parlamentar da oposição entre os titulares da CPI, o deputado Soldado Noelio (União Brasil) corrobora com a ideia de que a ida de Reginauro à CPI não causa nenhum impasse.

“Não entendo que vá gerar algum tipo de [impasse], até porque é um convite. As associações estão tranquilas para vir, serem ouvidas e para falar. O que a gente lamenta é que essa não é a prioridade social. Não é isso que esperam as centenas de famílias que estão sem suas casas até hoje [por conta de conflitos com traficantes]. Eles esperam que o Estado use todos os recursos para penalizar quem está tirando casas de cidadãos para usar essas residências como quartel do tráfico.”

Noelio foi o autor do requerimento de convite ao vereador. O deputado também apresentou outros requerimentos com convites às lideranças de outras associações militares do Ceará.

“Estamos tranquilos para participar da CPI e ao mesmo tempo indignados. Precisamos estar lá para levar equilíbrio para que essa CPI não vire um palco de pré-campanha. Infelizmente, é isso que tem parecido. [O convite] serve, inclusive, para a gente utilizar como oportunidade de mostrar para a população os trabalhos que essas associações têm feito”, destacou.

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