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24 de julho de 2024

Rainha e ícone do rock brasileiro, cantora Rita Lee morre aos 75 anos, em sua residência

A cantora e compositora foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2021 e vinha fazendo tratamentos contra doença
Foto: Reprodução/ Instagram

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A cantora e compositora Rita Lee, considera rainha e um dos maiores ícones do rock brasileiro, morreu nesta segunda-feira, 8, em sua residência. Ela foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2021 e vinha fazendo tratamentos contra a doença. O comunicado veio por meio da família, nas redes sociais da artista, nesta terça-feira, 9. “Comunicamos o falecimento de Rita Lee, em sua residência, em São Paulo, capital, no final da noite de ontem, cercada de todo o amor de sua família, como sempre desejou”. O velório da cantora será aberto ao público, no Planetário do Parque Ibirapuera, na quarta-feira, 10, das 10h às 17h.

Em maio de 2021, Rita Lee foi diagnosticada com câncer de pulmão. Ela seguiu tratamentos de imunoterapia e radioterapia. Quatro meses depois, ela lançou o último single da carreira, “Changes”, em parceria com o marido Roberto de Carvalho e o produtor Gui Boratto.

Em abril do ano passado, seu filho, Beto Lee, escreveu em suas redes sociais que a mãe estava curada do câncer. O último internamento da cantora foi registrado em fevereiro de 2023. Após passar duas semanas internada, a cantora recebeu alta no dia 5 de março. Seus últimos momentos foram em um sítio no interior de São Paulo com a família.

TRAJETÓRIA

Rita Lee nasceu em São Paulo, em 31 de dezembro de 1947. O pai, Charles Jones, era dentista e filho de imigrantes dos EUA. A mãe, a italiana Romilda Padula, era pianista e incentivou a filha a estudar o instrumento e a cantar com as irmãs.  Aos 16 anos, Lee integrou um trio vocal feminino, as Teenage Singers, e fez apresentações amadoras em festas de escolas. O cantor e produtor Tony Campello descobriu as cantoras e as chamou para participar de gravações como backing vocals.

Em quase 60 anos de carreira, Lee ajudou a incorporar a revolução do rock à explosão criativa do tropicalismo. No Brasil, formou uma das bandas brasileiras de rock mais cultuadas no mundo, os Mutantes, e criou canções na carreira solo com enorme apelo popular sem perder a liberdade e a irreverência. A carreira pós-Mutantes foi encabeçada pelo grupo Tutti Frutti, no qual ela gravou cinco álbuns, com destaque para “Fruto proibido”, de 1975, que tinha a música “Agora só falta você”.

A partir de 1979, Lee começou a trabalhar em parceria com o marido Roberto de Carvalho, e se firmou de vez na carreira solo. Um de seus álbuns mais bem sucedidos foi “Rita Lee”, de 1979, com “Mania de Você”, “Chega mais” e “Doce Vampiro”. No disco de mesmo título do ano seguinte, ela segue na direção mais pop e faz ainda mais sucesso com “Lança perfume” e “Baila comigo”. Rita foi referência de criatividade e independência feminina durante toda a carreira. O título de “rainha do rock brasileiro” veio quase naturalmente, mas ela achava “cafona”, preferindo a “padroeira da liberdade”.

AUTOBIOGRAFIA

Irreverente, Rita sempre foi subversiva com o que a sociedade constamente impôs a ela durante sua vida. Em sua autobiografia, a cantora escreveu uma profecia sobre sua morte. “Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão “Ovelha negra”, as tvs já devem ter na manga um resumo da minha trajetória para exibir no telejornal do dia e uma notinha no obituário de algumas revistas há de sair. Nas redes virtuais, alguns dirão: ‘Ué, pensei que a véia já tivesse morrido, kkk'”.

No epitáfio de sua profecia, Rita escreveu aquela que ficou conhecida como a síntese de sua passagem pela vida: “Ela nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa”. 

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