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13 de julho de 2024

Projeto-piloto prevê utilização de ônibus movidos a hidrogênio verde em Fortaleza

A reunião entre UFC, Cagece, Sindiônibus e Prefeitura de Fortaleza, teve como objetivo discutir o plano de descarbonização do transporte público na Capital com uso de ônibus movido a hidrogênio
Foto: Reprodução/Viktor Braga/UFC

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Representantes do Governo do Ceará em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) estão em processo de desenvolvimento de um projeto-piloto para a utilização de ônibus movidos a hidrogênio verde em Fortaleza. O estudos estão sendo realizados pelo Laboratório de Combustão em Energias Renováveis (LACER), da UFC. No momento, o projeto busca financiamento para implementar, inicialmente, um piloto com cinco ônibus na capital cearense.

Sob a coordenação do Prof. William Magalhães Barcellos, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica (PPGEM) da UFC, os pesquisadores do LACER têm investigado maneiras de aproveitar a água de reúso, oriunda de estações de tratamento de água e de esgoto, com o objetivo de prover o reabastecimento de hidrogênio nesses veículos.

Na última semana, representantes da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), da Prefeitura Municipal de Fortaleza, e o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), prof. Cândido Albuquerque, se reuniram para discutirem os planos de descarbonização do transporte público na capital cearense por meio da utilização de ônibus movidos a hidrogênio.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Os líderes das instituições presentes no encontro mostraram disposição em formar um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar um acordo de cooperação técnica para promover a mobilidade urbana por meio de fontes de energia limpa. Os envolvidos estão analisando propostas para substituir gradualmente, a médio e longo prazo, a matriz energética dos transportes públicos, que atualmente depende de combustíveis fósseis derivados do petróleo, por alternativas baseadas em fontes renováveis, como biomassa, energia eólica, energia solar fotovoltaica e motores elétricos.

Conforme a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), atualmente, a frota de ônibus em operação na Capital é composta por 1.680 veículos, distribuídos em 296 linhas operadas por oito empresas. Sob a coordenação do Prof. William Magalhães Barcellos, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica (PPGEM) da UFC, os pesquisadores do Laboratório de Combustão em Energias Renováveis (Lacer) estão explorando maneiras de utilizar água de reúso, proveniente de estações de tratamento de água e esgoto, para abastecer esses veículos com hidrogênio.

Prof. William ressaltou a relevância de estreitar laços entre o laboratório e a companhia de saneamento básico do Estado. “Existe uma parceria com a Cagece que culminou em um projeto de geração de biogás. A partir daí, surgiram ideias e um envolvimento cada vez maior da UFC com a Cagece em uma troca bastante profícua de desenvolvimento tecnológico”.

POTENCIAL

O presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, ressaltou o potencial do hidrogênio, das células de combustível e das baterias elétricas para o transporte público, considerando também a viabilidade econômica.

“Quando se demanda arranque dos motores, precisamos de uma quantidade muito maior de energia acumulada. Com isso, sobre a bateria na tecnologia atual, salvo expectativas de novos paradigmas, como baterias de nióbio ou de grafeno, nada disso existe ainda em escala de mercado e isso é um gargalo. Para o projeto ter uma mínima chance de se viabilizar, o ônibus deve ter autonomia para operar o dia todo”.

Neuri Freitas, presidente da Cagece, destacou a abertura de mercados no exterior, especialmente na Europa, para empresas brasileiras que possuem certificações ambientais, agregando valor aos produtos de exportação. Ele explicou que a Companhia está trabalhando para se tornar fornecedora e prestadora de serviços na produção de hidrogênio, não apenas com energia e água, mas também com as indústrias envolvidas nessa tecnologia.

MOBILIDADE URBANA

Larissa Menescal, superintendente-adjunta do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor), vinculado à Prefeitura de Fortaleza, enfatizou que a mobilidade urbana é um dos principais aspectos do desenvolvimento urbano sustentável. Ela ressaltou que a capital cearense é candidata a sediar o Fórum Urbano Mundial em 2026, um evento que reunirá cerca de 30 mil especialistas em urbanismo e políticas públicas de todo o mundo. “A Prefeitura tem investido em inovação dentro da cidade, e estamos em fase avançada de uma legislação específica para que Fortaleza seja uma ‘sandbox’, um espaço aberto para experimentação. E já temos sido procurados por muitas universidades, até de fora do Brasil”.

O reitor da UFC, Cândido Albuquerque, ressaltou a importância do grupo de trabalho interinstitucional para aprofundar as pesquisas e impulsionar as iniciativas relacionadas a esses projetos estratégicos. “É um prazer mantermos esse diálogo da Universidade com todos os setores, o poder público e os setores produtivos e empresariais. Acho que aqui evoluímos bem e somos um exemplo para muitas outras universidades se abrirem para o debate e parcerias com a Federação das Indústrias e o Governo do Estado”.

Participaram da reunião, o Prof. Francisco Ilson da Silva, chefe do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) do Centro de Tecnologia da UFC; o Prof. Francisco Nivaldo Aguiar Freire, do DEM; o Prof. Antonio Paulo de Holanda Cavalcante, do Departamento de Integração Acadêmica e Tecnológica (Diatec) do Centro de Tecnologia da UFC; Ronner Gondim, superintendente de Sustentabilidade da Cagece; Cailiny Medeiros, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica da Cagece; e Thiago Martins, engenheiro da Cagece.

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