Uma fala sobre o presidente da Câmara Municipal de Jucás, vereador Eúde Lucas (PDT), repercutiu negativamente nas redes sociais. Em sessão na Casa, o presidente afirmou que, “no seu tempo, autismo se curava com peia”. A fala foi feita durante sessão nesta terça-feira, 19. O vereador chega a supor que já “teve autismo na infância” e teria sido “curado” pelo pai “na chibata”. O caso repercutiu negativamente no meio político e parlamentares levaram a situação para outras instâncias.
O deputado federal Danilo Forte (União Brasil) denunciou o presidente da Câmara ao Ministério Público “para que sirva de exemplo”. “A agressão recente do vereador Eúdes, de Jucás, é grave e não pode ser ignorada”, disse o parlamentar.
A deputada federal cearense Dayany Bittencourt (União), anunciou que protocolou, na Câmara, uma moção de repúdio “a esta fala descabida”. “Lamento muito a desinformação que leva um ser humano a falar tamanho absurdo. É triste saber que uma pessoa na posição que este senhor ocupa, falar que ‘autismo se cura na peia.'”, escreveu a parlamentar em suas redes sociais. “Nós que tanto lutamos pela inclusão de verdade, precisamos, todos os dias, lidar com o preconceito, a falta de acessibilidade e diversos percalços, por isso, pessoas públicas, que foram eleitas pelo povo e ocupam posições a fim de representá-los, deviam dar exemplo”.
Durante sessão na Câmara Municipal de Fortaleza, nesta quarta-feira, 20, os vereadores repudiaram cobraram providências sobre as declarações. A situação foi destacada pelo presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, vereador Márcio Martins (SD), que classificou a fala como “criminosa” e “desumana”. Professor Enilson (Cidadania), que é pai de autista, propôs uma “moção de repúdio ao vereador”. “A fala dele e a dor é a de todos os pais e mães atípicos quando ver um absurdo desse”, destacou.
O vereador Lúcio Bruno (PDT), correligionário do presidente da Câmara de Jucás pediu a cassação do mandato de Eúde Lucas. “Temos que cobrar que o parlamento de Jucás casse o mandato desse vereador”, atentou.
RETRATAÇÃO
Após forte repercussão, o vereador Eúde Lucas se desculpou, em nota, e disse que “jamais teve a intenção de ofender”. “Venho por meio deste lamentar e esclarecer sobre minha fala durante a sessão na Câmara Municipal. Falei que assisti uma entrevista no Fantástico [programa da Rede Globo] e me identifiquei como autista, mencionei sobre o meu próprio caso e como fui tratado antigamente, exatamente pela falta de lei em favor do Autismo no município de Jucás, justamente por compreender e abraçar esta causa“, destacou.
“Jamais tive a intenção de ofender e peço perdão se me expressei de maneira equivocada. Lamento profundamente que tenha sido mal interpretado. Reitero aqui o meu compromisso de continuar apresentando projetos e lutando pelos autistas e por todos aqueles que precisam”, disse.
Conforme o Ministério da Saúde, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é atualmente definido como uma condição comportamental em que a pessoa apresenta prejuízos na interação social, comportamentos repetitivos e prejuízos na comunicação. Características que aparecem geralmente no primeiro ano de vida. O TEA é considerado uma condição permanente, não sendo tratado como uma doença, mas sim como um transtorno do neurodesenvolvimento. No Ceará, a condição pode ser acompanhada de forma multiprofissional de forma totalmente gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
