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Assessora econômica de Flávio que cita Milei como exemplo participa de evento com empresários no Ceará

Daniella Marques estará em encontro do Lide Ceará neste sábado (17) para discutir cenários econômicos para o Brasil; reunião será fechada para associados do grupo empresarial
Plano econômico de Flávio Bolsonaro tem medidas do governo de Javier Milei, na Argentina, como referência, segundo Daniella Marques. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Lide Ceará realiza neste sábado (17) um encontro com Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), para discutir os “Cenários Econômicos para o Brasil”. A reunião, voltada exclusivamente aos associados do grupo empresarial, também deve contar com a participação de Adriana Andrade, esposa do candidato à Presidência da República.

A reunião também foi divulgada nas redes sociais pela deputada federal Priscila Costa (PL), que ficou na suplência do partido nas eleições deste ano. “As Mulheres do Ceará não vão desistir do Brasil! Nosso encontro é mais um momento de nos fortalecermos nessa batalha!”, escreveu. A presidente do Lide Ceará, Emília Buarque, afirmou que o encontro representa uma oportunidade para conhecer os princípios econômicos defendidos por uma das candidaturas à Presidência.

Plano econômico de Flávio Bolsonaro tem Milei como referência

Em setembro, Daniella Marques afirmou que o plano de governo de Flávio Bolsonaro tem como referência medidas adotadas pelo presidente da Argentina, Javier Milei.

“Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”, declarou a coordenadora econômica durante um evento do Esfera Brasil. Na ocasião, ela classificou Milei como um “ótimo exemplo” na capacidade de atrair investimentos e reduzir burocracias e impostos.

Marques também afirmou que a campanha mapeou mais de mil normas infralegais que poderão ser revogadas em um eventual governo do senador do PL. Segundo ela, a proposta busca reduzir exigências administrativas e regulamentações, além de rever medidas tributárias adotadas pelo atual governo. “Iniciamos o mapeamento de mais de mil normas, entre obrigações acessórias e regulamentos infralegais, visando à desburocratização”, disse.

Javier Milei tem enfrentado críticas diante da redução do número de empresas empregadoras e de postos de trabalho formais no país. Segundo dados divulgados em outubro, a Argentina tinha 480.067 empregadores registrados em julho de 2026, ante 512.357 em novembro de 2023, antes da posse de Milei. A redução é de 32.290 registros, equivalente a 6,3%.

A redução no número de empregadores registrados ocorre em meio a dificuldades econômicas enfrentadas por parte do setor produtivo argentino. Levantamentos publicados em outubro apontaram também perdas de empregos formais e retração da atividade econômica em julho de 2026. Os números, porém, exigem uma distinção: a queda nos registros de empregadores não comprova que todas as empresas contabilizadas tenham fechado definitivamente, pois mudanças societárias, reorganizações e alterações no número de trabalhadores registrados também podem afetar o indicador.

Proposta prevê corte de gastos e manutenção de programas sociais

Sobre o ajuste fiscal, a coordenadora econômica de Flávio chegou a afirmar, ainda em setembro, que a proposta não prevê alterações em programas sociais, como o Bolsa Família. Segundo ela, o foco seria o corte de despesas na estrutura da máquina pública e a revisão de benefícios tributários. O plano de governo de Flávio, no entanto, não detalha como o reajuste seria feito e nem o seu impacto real na política econômica.

Marques também declarou que uma das primeiras medidas de um eventual governo Flávio Bolsonaro seria encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir gastos públicos. “Já assumimos o compromisso de não alterar os programas sociais. Nossa proposta focará no corte de privilégios, tanto na estrutura da máquina pública quanto em benefícios tributários. Apresentaremos um levantamento técnico ao Congresso, que soberanamente conduzirá as decisões”, afirmou.