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Ciro Gomes critica avanço do crime no Ceará e cobra ação do Estado em evento de pré-candidatura

Pré-candidato afirmou que a população cearense vive hoje sob medo constante
Discurso faz parte da estratégia do pré-candidato de consolidar uma narrativa de enfrentamento ao crime. Foto: Felipe Barreto/ Opinião CE

Durante evento de pré-candidatura ao Governo do Estado realizado neste sábado (16), no Conjunto Ceará, Ciro Gomes (PSDB) fez duras críticas à situação da segurança pública no Ceará e atribuiu o cenário atual à, segundo ele, omissão das autoridades estaduais.

Em tom enfático, o ex-ministro afirmou que a população cearense vive hoje sob medo constante, em decorrência da atuação de facções criminosas e do crescimento do crime organizado.

“O Ceará está passando muito mal. O povo, que sempre foi valente e lutador, hoje vive com medo, olhando para os lados, intimidado pelas facções criminosas”, declarou.

Críticas à gestão

Ciro Gomes responsabilizou diretamente a condução política do Estado pelo agravamento da violência. Segundo ele, houve falhas graves na liderança e na estruturação da segurança pública ao longo dos últimos anos.

“O fraco líder faz fraca a forte gente. E é exatamente isso que está acontecendo. Nunca se avançou tanto no crime no Estado diante de uma omissão quase absoluta das autoridades”, afirmou.

O pré-candidato também alegou que o Ceará figura entre os estados com maiores índices de criminalidade no país, apontando o crescimento da influência de organizações criminosas.

“As facções tomaram conta do Estado. Isso não é mais possível aceitar”, disse.

Questionamentos sobre efetivo policial

Outro ponto levantado por Ciro foi a falta de investimento na ampliação do quadro da Polícia Civil. Durante o discurso, ele criticou a ausência de novos delegados ao longo da última década.

“Sabe quantos delegados de polícia foram contratados nos últimos dez anos? Nenhum”, afirmou, ao criticar o que classificou como falta de prioridade na área.

Segundo ele, apesar da abertura recente de concurso para 100 delegados, nenhum profissional foi efetivamente incorporado até o momento. “Chamaram agora o concurso, mas até agora não entrou nenhum. São dez anos sem delegado de polícia”, criticou.

Ciro também citou dificuldades enfrentadas por policiais no interior do Estado. Como exemplo, mencionou situações em que equipes precisam se deslocar para outros municípios para realizar procedimentos, deixando áreas inteiras sem cobertura.

“Em cidades pequenas, quando há uma prisão em flagrante, os policiais precisam se deslocar para outro município para formalizar o caso. A viatura sai, os policiais saem, e a população fica desprotegida. É nesse momento que as facções agem”, afirmou.

Funcionamento das delegacias

Ciro também detalhou problemas estruturais na segurança pública, citando concursos, funcionamento de delegacias e limitações operacionais das forças policiais no interior e na capital.

O pré-candidato afirmou ainda que a estrutura de atendimento policial estaria defasada, especialmente no período noturno. “Fortaleza e a Região Metropolitana, que são epicentro do crime, têm apenas seis delegacias de plantão. E isso não mudou nos últimos 12 anos”, disse.

Para Ciro, a ausência de expansão na rede de atendimento demonstra falta de enfrentamento ao crime. “O crime acontece mais à noite, e a estrutura continua a mesma. Dá para dizer que estão combatendo o crime organizado?”, questionou.

Ele ainda criticou a quantidade de delegacias especializadas no combate ao crime organizado em todo o Estado. “Um estado com quase 10 milhões de habitantes tem apenas duas delegacias responsáveis por investigar e reprimir o crime organizado. E isso não mudou há mais de uma década”, declarou.

Segurança como eixo da campanha

As declarações reforçam o tom adotado por Ciro Gomes no início de sua pré-campanha, com foco em críticas à atual gestão estadual e na defesa de mudanças estruturais, especialmente na área da segurança pública.

Ao longo do evento, o ex-governador buscou associar o cenário atual à falta de liderança política e destacou que pretende colocar o tema como uma das prioridades de sua eventual gestão.

As falas e críticas apresentadas durante o discurso fazem parte da estratégia do pré-candidato de consolidar uma narrativa de enfrentamento ao crime e de cobrança por maior atuação do Estado no combate à violência no Ceará.