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Morre Ariosto Holanda, ex-deputado e ex-secretário de Estado

Ex-secretário estadual, ele morreu aos 87 anos em Fortaleza após complicações do Parkinson
Aristo emprestou seu nome à comenda que homenageia destaques da inovação. Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Morreu na manhã deste sábado (21), em Fortaleza, o ex-deputado federal Ariosto Holanda, aos 87 anos, em decorrência de complicações da doença de Parkinson. O velório ocorre a partir das 10 horas, na Ternura, na Aldeota, com sepultamento previsto para as 16 horas, no Parque da Paz.

Como deputado estadual e secretário de Estado, em áreas ligadas à tecnologia, à indústria e à ciência, Aristo Holanda teve uma atuação constante na defesa da educação e do conhecimento. Tornou-se uma referência, no Estado e no País, para políticos que defendem a ciência como motor do desenvolvimento social.

Natural de Limoeiro do Norte, Ariosto foi engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também atuou como professor. Trabalhou na Coelce e na Petrobras, além de lecionar na Universidade de Fortaleza (Unifor).

Reconhecido nacionalmente na área de ciência e tecnologia, acumulou distinções como a Medalha Nacional do Mérito Científico e a Ordem Nacional do Mérito Educativo. Também deu nome a comendas, como a Comenda Ariosto Holanda de Ciência, Tecnologia e Inovação, do Instituto Iracema Digital.

Aristo foi o criador do Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), coordenado por ele nos anos 1970 e 1980. “Ariosto Holanda também foi responsável por iniciativas estruturantes que ampliaram o acesso ao conhecimento e à qualificação profissional em todo o estado, como os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (CENTEC) — espaços voltados à difusão do conhecimento científico e à formação técnica, especialmente em regiões do interior”, relembrou Custódio Almeida.

“Seu trabalho permanece como testemunho de uma vida dedicada à democratização do saber e à construção de oportunidades por meio da educação e da tecnologia”, definiu o reitor da Universidade Federal do Ceará, Custódio Almeida, em nota oficial. 

Trajetória política

Na vida pública, iniciou como secretário da Indústria e Comércio no primeiro governo de Tasso Jereissati, entre 1987 e 1989. Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1990 e teve mandatos por diferentes legendas, incluindo PSB, PSDB, PROS e PDT.

Também foi secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará entre 1995 e 2002. Na Câmara dos Deputados, exerceu mandatos em diferentes períodos, com eleições em 1998, 2002, 2006 e 2010, além de ter assumido como suplente em outras ocasiões.

Em 2016, votou contra a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Ao longo da trajetória, manteve proximidade com lideranças como Ciro Gomes e Cid Gomes.

Homenagens

A notícia da morte de Ariosto Holanda repercutiu ainda cedo no meio político. “Recebi com pesar a notícia da morte do engenheiro e ex-deputado federal Ariosto Holanda. Parlamentar por cinco mandatos, Ariosto teve atuação destacada na área da Ciência e Tecnologia, na qual foi secretário de Estado, e colaborou muito para o desenvolvimento do nosso Ceará”, escreveu o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), em suas redes sociais.

O senador Cid Gomes afirmou que Aristo foi um homem público exemplar e um visionário. “Quando quase ninguém falava em ciência, tecnologia e inovação, ele já indicava que esse era o caminho do futuro”, relembrou, em postagem nas redes sociais. “(Aristo) defendeu com afinco a educação e a formação tecnológica, semeou a ideia da educação profissional que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje espalhadas por todo o Ceará. Com ele, aprendi importantes lições de gestão, de simplicidade e de como a boa política pode transformar para melhor a vida das pessoas”, escrevei Cid. 

“Ariosto foi um revolucionário”, definiu o deputado Romeu Aldigueri, em uma postagem em homenagem ao ex-parlamentar. “Ariosto Holanda foi um homem à frente do seu tempo; fez da educação técnica e profissional uma ferramenta de transformação e inclusão social para os jovens. Praticou a boa política no Ceará e no Brasil”, definiu o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece).