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Gorete receberia R$ 780 mil de propinas no esquema do INSS, aponta PF

Conforme a Polícia Federal, a deputada utilizava sua liderança política para viabilizar acordos
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Após a Operação Indébito identificar desvio de recursos do INSS pela deputada federal Gorete Pereira (MDB), a Polícia Federal (PF) encontrou uma “tabela de pagamento de propinas” em que o nome da parlamentar cearense aparece como suposta destinatária de pelo menos um repasse de R$ 780 mil.

Conforme a PF, a legisladora utilizava sua liderança política para viabilizar acordos com o INSS. A investigação alcançou Gorete após o nome dela aparecer na planilha de propinas, que foi enviada pelo empresário Natjo de Lima Pinheiro para a advogada Cecília Rodrigues Mota.

“A investigada Cecília controlava fluxos financeiros provenientes dos descontos fraudulentos e elaborava planilhas de pagamentos ilícitos. Como contraprestação por suas atividades, recebia percentuais fixos da arrecadação ilícita”, diz a PF.

O inquérito afirma que Natjo é o “líder e administrador financeiro da organização criminosa, responsável pela gestão das operações financeiras, definição de estratégias e pagamento sistemático de propinas”.

Em uma mensagem de Natjo à Cecília, a advogada concorda com a afirmação dele de que “não seria possível aceitar o fato de a deputada federal Maria Gorete querer ficar com 70% da entidade”.

Gorete, conforme as mensagens no inquérito, já chegou a afirmar para Natjo que queria pagamentos de “forma direta”, mencionando que não era necessário que os valores das propinas passassem por Cecília.

“A deputada Maria Gorete emerge no conjunto probatório apresentado pela Polícia Federal como integrante relevante do grupo criminoso, com atuação na articulação política e operacional das associações fraudulentas”, anotou o ministro André Mendonça ao impor à parlamentar uso de tornozeleira eletrônica e outras cautelares no âmbito da Operação Indébito.