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Zanin barra tentativa de abrir CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados

Decisão do ministro aponta falhas no pedido apresentado por deputado; investigação sobre fraudes já levou Dias Toffoli a se declarar suspeito no STF
Cristiano Zanin mencionou a existência de deficiências processuais no mandado de segurança. Foto: Carlos Moura/ Ascom STF

A negativa do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), impediu nesta quinta-feira (12) a obrigatoriedade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar suspeitas de fraudes no Banco Master.

O pedido chegou ao STF por meio de mandado de segurança apresentado por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O parlamentar buscava obrigar a Câmara dos Deputados a instalar a comissão investigativa.

Segundo o deputado, o requerimento para criação da CPI já havia sido protocolado e cumpria os requisitos previstos na legislação, incluindo a coleta das assinaturas de um terço dos integrantes da casa legislativa.

DECISÃO

A argumentação apresentada também apontou suposta omissão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), diante da ausência de providências para instalar a comissão parlamentar.

Na análise do caso, Cristiano Zanin mencionou a existência de deficiências processuais no mandado de segurança. O ministro avaliou que a documentação apresentada não comprova resistência pessoal do presidente da Câmara dos Deputados para viabilizar a abertura da CPI.

No presente caso, porém, como demonstrado acima, há deficiências relevantes na instrução do mandado de segurança que sequer permitem aferir, neste momento e de plano, omissão ou resistência pessoal da autoridade, como narrado na inicial”, decidiu o ministro.

RELATORIA

Antes da decisão de Cristiano Zanin, o processo havia sido distribuído ao ministro Dias Toffoli, inicialmente escolhido como relator do pedido de criação da CPI. Posteriormente, o magistrado declarou suspeição para atuar na análise do caso.

A mudança ocorreu após a Polícia Federal (PF) comunicar ao presidente do STF, Edson Fachin, a existência de menções a Dias Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

A apreensão do aparelho ocorreu durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado para investigar suspeitas envolvendo o Banco Master.

INVESTIGAÇÃO

Informações do inquérito indicam que Dias Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, empreendimento localizado no Paraná. O empreendimento foi adquirido por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master.

A apuração conduzida pela Polícia Federal também analisa a relação desse fundo com o banco investigado, o que levou o ministro a se afastar da relatoria para evitar questionamentos sobre eventual conflito de interesses.

Com informações da Agência Brasil.