A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (12), a Operação Traditori, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa que atua no município de Morada Nova. Cinco vereadores, investigados por envolvimento no esquema de financiamento ilícito de campanhas eleitorais, foram presos.
Conforme a PF, a organização, além de financiar ilicitamente as campanhas, está envolvida em outros crimes eleitorais, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
Dentre eles, está o presidente da Câmara Municipal de Morada Nova, Hilmar Sérgio (PT); Júnior do Dedé (PSB), que desde setembro do ano passado atua como secretário de Administração da Prefeitura de Morada Nova; Gleide Ribeiro (PT), secretária da Mesa Diretora da Câmara; Cláudio Maroca (PT); e José Regis Nascimento Rumão (PP).
A Câmara divulgou uma nota, nas suas redes sociais, informando que a sessão desta quinta foi suspensa. O local foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Além dos vereadores, também está entre os investigados o superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) do Governo do Ceará, Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, Marco Bica. Ele não foi preso.
Em 2024, ele foi candidato à prefeitura de Morada Nova pelo PT, mas foi derrotado por Naiara Castro (PSB).
A investigação
Segundo a PF, os investigados tiveram a campanha de 2024 financiada com dinheiro de uma facção, que, em troca, teria recebido vantagens políticas e institucionais para seus membros.
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão, em Morada Nova, Fortaleza, Chorozinho, Limoeiro do Norte, Pedra Branca e São Paulo (SP). As ordens judiciais foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
Conforme as forças de segurança, a investigação teve início após o compartilhamento de dados pela Delegacia de Morada Nova e pelo Departamento de Polícia do Interior Sul mostrar o envolvimento de uma facção nas eleições de Morada Nova.
“A investigação revelou a existência de um esquema criminoso vinculado a uma facção responsável pela movimentação e pela ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, evidenciando a infiltração do crime organizado na esfera pública”, apontou a PF.
