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Deputada bolsonarista diz que vai rasgar Pacto Contra Feminicídio da Alece se texto não incluir Igrejas

Dra. Silvana já rasgou o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e afirmou que pode vir a fazer o mesmo caso o documento a ser lançado pela Assembleia no fim do mês não inclua a participação das Igrejas
Foto: Júnior Pio/Alece

A deputada estadual Dra. Silvana (PL) afirmou que vai rasgar o Pacto Contra o Feminicídio da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) caso o texto não inclua a participação das Igrejas no objetivo de combate à violência contra a mulher. O documento está previsto para ser lançado no dia 30 de março.

Conforme ela, o presidente da Casa, Romeu Aldigueri (PSB), e a primeira-dama Tainah Marinho Aldigueri (PT) ainda não a procuraram para mostrar e conversar sobre o pacto. “Se não tiver força-tarefa onde entre a fé, a mudança da essência das pessoas, não acho que um pedaço de papel funcione para nada”, afirmou.

Eu fui ensinada, nos bancos da Igreja, que homem não bate em mulher. O cristianismo é machista para quem lê a Bíblia de cabeça para baixo. O pacto só vai além quando você não esvazia as pessoas de Deus, de compromisso social. Precisa haver um compromisso social que vá além de um pedaço de papel”, acrescentou.

A legisladora, no dia 5 de fevereiro, já rasgou o documento do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio durante um discurso na sessão plenária do Legislativo cearense. À época, ela afirmou que o pacto ignorava o papel da Igreja e das famílias no combate à violência.

“Um ‘pedaço de papel’ não muda o cenário”

Segundo Silvana, apenas um “pedaço de papel” não mudaria o cenário de violência contra a mulher. “O que nós estamos vendo, de forma concreta, é a mulher morrendo todo dia”, disse.

“Eu entendo que tem que mudar o Código Penal. Bateu em mulher, vai para a cadeia, sem direito a audiência de custódia e sem pagar fiança”, defendeu, lembrando que, em “99,9% das vezes”, o feminicídio ocorre depois de ela já ter sofrido violência do homem.

Ainda conforme a parlamentar, a população “cansou de pactos”. “A população quer medidas efetivas”. Ela também criticou a aprovação, na Câmara dos Deputados, de um projeto que permite, ao juiz, determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica para o agressor de mulher.

Segundo Silvana, o agressor com tornozeleira vai se preocupar em matar logo a vítima para “não ter perigo de poupar a vida dela”. O projeto ainda vai passar pelo Senado antes que possa seguir para sanção do presidente Lula (PT) e vire lei.