O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) fez pronunciamento em rede nacional, neste sábado (7), em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março.
Lula ressaltou que este domingo (8) deve ser um dia de reflexão. “Como o nosso país trata as mulheres? E mais que isso. Como nós, homens brasileiros, tratamos as mulheres?”, questionou.
Em seguida, falou na necessidade de encarar a realidade, por mais dura que ela seja.
“A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas”, destacou.
No pronunciamento destinado à Nação, Lula disse ser inadmissível existir tantas leis para proteger as mulheres e o Brasil continuar sendo um dos países que mais matam mulheres.
“Apesar de tudo o que fizemos, a exemplo do Disque 180, da Lei Maria da Penha e da lei que tipifica o crime de feminicídio, homens continuam agredindo e matando mulheres. Mesmo com o agravamento da pena para o feminicídio, com até 40 anos de prisão para os assassinos, homens continuam agredindo e matando mulheres. Não podemos nos conformar“, enfatizou.
Ele garantiu que as ações de combate ao feminicídio serão intensificadas. “Quem agride a mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido”, disse.
Também informou que, em parceria com os governos estaduais, serão realizadas operações para prender mais de 2 mil agressores de mulheres.
O Presidente ressaltou que as operações serão intensificadas. “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. Vamos, sim, meter a colher“, garantiu o Presidente.
Ele disse ainda que será implantado o rastreamento eletrônico de agressores que estejam com medida protetiva.
A reconstrução de políticas públicas voltadas às famílias brasileiras apareceu como um dos principais pontos da fala presidencial. Benefícios sociais e programas de apoio às mulheres foram apresentados como parte da estratégia do governo federal para reduzir desigualdades e fortalecer a proteção social.
Entre as ações mencionadas pelo presidente estão o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Minha Casa Minha Vida. Iniciativas mais recentes também foram destacadas, como o Pé-de-Meia e o programa de distribuição gratuita de absorventes.
PROGRAMAS SOCIAIS
A ampliação de políticas públicas voltadas à população de baixa renda foi apresentada como uma das prioridades da gestão federal. Na avaliação do presidente, os programas contribuem para melhorar as condições de vida de famílias em todo o país.
Durante o pronunciamento, o presidente afirmou: “Nesses três anos de governo, reconstruímos políticas públicas que beneficiam as famílias e, sobretudo, as mulheres”. A declaração reforçou a defesa de programas sociais como instrumentos de combate à pobreza.
A fala também incluiu referência a novas iniciativas voltadas à população mais vulnerável. Entre elas estão o Gás do Povo, o Luz do Povo e a proposta de Imposto de Renda zero para quem recebe até R$ 5 mil por mês.
APOSTAS DIGITAIS
Críticas ao avanço das apostas on-line no país também marcaram o pronunciamento presidencial. Segundo o chefe do Executivo, o vício em jogos digitais tem provocado prejuízos financeiros dentro de milhares de lares brasileiros.
A preocupação do governo se concentra especialmente nos impactos familiares da dependência em apostas virtuais. O presidente afirmou que o dinheiro destinado a despesas básicas acaba sendo perdido em jogos realizados pelo celular.
No discurso, Lula declarou: “Os cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular”. A fala também indicou articulação entre Executivo, Congresso e Judiciário para enfrentar o problema.
SEGURANÇA DIGITAL
O ambiente digital apareceu como outro ponto central do pronunciamento presidencial. O discurso destacou riscos enfrentados por mulheres e meninas nas redes sociais, especialmente diante da disseminação de ataques e discursos de ódio.
De acordo com o presidente, manifestações ofensivas na internet acabam incentivando agressões e afastando mulheres da participação política e da vida pública. A situação foi apresentada como um desafio crescente para a sociedade brasileira.
Uma das medidas anunciadas envolve a entrada em vigor do Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes. A nova legislação amplia a proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line.
MENSAGEM FINAL
O pronunciamento também trouxe uma mensagem de mobilização nacional contra a violência de gênero. A fala ressaltou a necessidade de união entre governo e sociedade para enfrentar o problema.
Ao encerrar a mensagem, o presidente afirmou: “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar”.
Em tom simbólico, Lula concluiu o discurso com um apelo à sociedade brasileira. “Porque quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio”, declarou.
