Parlamentares do Psol divulgaram uma nota conjunta manifestando posição contrária à formação de uma federação partidária com o PT para as eleições deste ano. O documento é assinado por 21 deputados do partido, entre eles o deputado estadual cearense Renato Roseno, e apresenta argumentos políticos e programáticos contra a proposta de integrar a chamada Federação Brasil da Esperança.
No texto, os parlamentares afirmam que a tarefa central da esquerda, diante do avanço da extrema direita no mundo e da reorganização das forças conservadoras no Brasil, é combinar unidade política com clareza programática. Segundo eles, essas duas dimensões são complementares e fundamentais para fortalecer o campo popular.
Os signatários ressaltam ainda que o Psol tem atuado como parte da base política e social que sustenta o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citando momentos em que o partido esteve alinhado ao campo progressista, como na defesa da democracia, no enfrentamento ao bolsonarismo e na disputa no Congresso por reformas tributárias mais justas.
A nota também destaca pautas defendidas pelo partido no Parlamento, como o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, a oposição à chamada PEC da Blindagem e a atuação em disputas orçamentárias por investimentos sociais. De acordo com os parlamentares, o Psol tem buscado combinar combatividade política com diálogo amplo.
O documento enfatiza ainda que o partido consolidou lideranças nacionais e atua em diversas agendas sociais, como o combate ao racismo, a defesa do meio ambiente, os direitos das mulheres, da população LGBTQIA+, dos povos indígenas e das periferias.
Apesar de reconhecer os desafios do sistema político brasileiro, como a cláusula de barreira e outras regras eleitorais, os parlamentares afirmam que o partido continua ampliando sua presença eleitoral e defendem que o Psol contribua para a reeleição de Lula em 2026 mantendo sua autonomia política.
“Participaremos da coligação presidencial, mas temos uma opinião contrária a federar com o PT”, afirma trecho da nota.
Federação divide o partido
A proposta de federação apresentada pelo PT gerou divisões internas no Psol e isolou o grupo ligado ao deputado federal Guilherme Boulos, atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, que defende a união partidária.
A decisão final sobre o tema deve ocorrer neste sábado (7), em votação interna que reúne as 17 correntes do partido. O peso de cada grupo é definido proporcionalmente ao número de filiados que representa.
Entre as correntes, apenas a Revolução Solidária apoia a formação da federação. O grupo, no entanto, possui menor peso interno em comparação a outras tendências que se posicionaram contra a proposta, como a Primavera Socialista, que representa cerca de 25% dos filiados, o Movimento Esquerda Socialista (20%) e a Fortalecer (10%).
O convite para que o Psol integre a federação foi feito pelo PT na última semana.
