A vice-governadora do Ceará, Jade Romero (MDB), revelou que pode não permanecer na chapa majoritária encabeçada pelo governador Elmano de Freitas (PT) nas eleições deste ano, embora avalie que a manutenção da composição atual seria positiva para o chefe do Executivo estadual. Mesmo defendendo a continuidade como vice, Jade não descarta a possibilidade de disputar uma vaga de deputada federal, a depender das definições político-partidárias que ainda serão tomadas.
Em entrevista ao podcast Questão de Opinião, do Opinião CE, Jade destacou que a parceria construída com Elmano é marcada por confiança, lealdade e trabalho conjunto, fatores que, segundo ela, justificariam a manutenção da chapa. “Pela confiança, lealdade e pelo trabalho realizado entre nós, a manutenção seria positiva”, afirmou.
A vice-governadora também ressaltou que, apesar de não reunir o que chamou, em tom irônico, de “vantagens” tradicionais na política – como comando partidário, parentesco político ou perfil empresarial -, possui a confiança do grupo político por sua capacidade de entrega e dedicação. “O que tenho é o que sempre tive: muita determinação, muita vontade de fazer acontecer, lealdade ao grupo político e nenhuma vaidade. Estou aqui para fazer o que for melhor para as pessoas”, declarou.
Jade ponderou, no entanto, que o processo eleitoral envolve múltiplas lideranças e interesses que precisam ser considerados para a manutenção do arco de alianças. Entre esses fatores está a situação do MDB no Ceará. O presidente estadual da sigla, deputado federal Eunício Oliveira, é cotado para disputar uma vaga ao Senado. Caso essa candidatura se confirme, conforme já sinalizou o próprio governador Elmano, o partido perderia a indicação da vaga de vice na chapa majoritária.
A entrevista completa está disponível no canal do Opinião CE no YouTube.
Principais pautas em eventual candidatura
Questionada sobre quais pautas priorizaria caso dispute uma vaga na Câmara dos Deputados, Jade Romero elencou três eixos centrais: a defesa da vinculação de receitas federais para a assistência social; o fortalecimento da representatividade feminina na política; e o enfrentamento das violências contra crianças e adolescentes, com ênfase no combate à violência sexual.
Pela primeira vez, a vice-governadora afirmou publicamente que esse último tema seria uma prioridade em eventual mandato legislativo. Segundo ela, o Brasil enfrenta atualmente uma “epidemia” de violência sexual contra mulheres, crianças e adolescentes. “A gente não pode deixar que a impunidade seja uma marca do nosso País. Precisamos refletir, enquanto sociedade, que tipo de punição queremos para crimes gravíssimos”, defendeu.
Jade lembrou que muitos desses crimes ocorrem dentro do ambiente familiar, o que agrava seus impactos. “Um lugar que deveria ser de segurança vira tormento, vira esfacelamento familiar”, afirmou. Como resposta, ela defendeu o endurecimento da legislação penal e criticou o Congresso Nacional por, segundo ela, priorizar pautas de costumes enquanto evita enfrentar de forma mais firme o combate à violência. “Para muitas pessoas, ainda existe a ideia de que o crime compensa. O Brasil precisa mostrar que o crime não compensa, e isso exige coragem legislativa”, acrescentou.
Disputa de projetos
Na avaliação de Jade Romero, a eleição majoritária no Ceará será marcada por uma disputa de projetos entre o campo governista, liderado por Elmano de Freitas, e o nome que vier a ser definido pela oposição. Ao lado do governador, ela destacou a presença de lideranças como o presidente Lula (PT), o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), o senador Cid Gomes (PSB), o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), além de gestores municipais.

Sobre a oposição, Jade citou a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) como a principal aposta do grupo adversário e avaliou que se trata de um projeto político já testado. Ela mencionou, como exemplo, a atuação do ex-governador Tasso Jereissati (PSDB) nas articulações que levaram Ciro ao partido. “Há uma tentativa de se apresentar como novo algo que não é novo. São projetos que já foram testados, e a população vai fazer essa comparação”, afirmou.
A vice-governadora também destacou que o grupo oposicionista, que reúne nomes como o ex-deputado federal, Capitão Wagner (União Brasil), e o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União Brasil), está hoje alinhado à direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Jade, essa aproximação deve pesar na avaliação do eleitorado. “Para o cidadão comum, muitas vezes é difícil compreender esse nível de alianças e de ataques entre antigos adversários”, observou.
Para ela, a incoerência política tende a ser cobrada nas urnas. “Se no discurso já está difícil manter a palavra, imagine na hora de tomar decisões com a caneta na mão. Essa incoerência será cobrada pelas pessoas na comparação dos projetos”, concluiu.
