O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), afirmou que pode deixar o comando do Ministério da Educação (MEC) até março deste ano para se dedicar diretamente à campanha pela reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) e do presidente Lula (PT). A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), durante entrevista coletiva em Brasília.
Segundo Camilo, a possibilidade de saída será discutida com o presidente da República e envolve uma avaliação estratégica do cenário político. Caso a exoneração se confirme, o movimento também o deixaria disponível para disputar cargos majoritários em 2026, já que março é o prazo-limite de desincompatibilização para ministros que pretendem concorrer nas eleições.
Embora o mandato de senador de Camilo Santana siga até 2030, o nome do petista tem sido frequentemente ventilado para disputas de maior projeção, como o Governo do Ceará, a Presidência da República ou a Vice-Presidência. O ministro, no entanto, nega qualquer plano nesse sentido no momento.
Defesa do Governo Federal
Na semana passada, Camilo já havia desconversado ao ser questionado sobre especulações envolvendo seu nome para cargos de maior protagonismo no cenário nacional, como uma eventual ida ao Ministério da Justiça ou a composição da chapa presidencial como vice de Lula nas eleições deste ano.
Sem entrar diretamente nas articulações políticas, o ministro centrou seu discurso na defesa do Governo Federal e no que classificou como a necessidade de um debate eleitoral baseado na comparação entre gestões. “Sou grato ao povo cearense pelas oportunidades que me deram e hoje podendo contribuir com o Brasil. Sou liderança do maior presidente da história desse País”, afirmou.
Para Camilo, o processo eleitoral será marcado pelo confronto entre projetos distintos. “Vai ser um momento importante para dizer ao povo do Ceará e ao povo do Brasil: comparar os quatro anos do Bolsonaro com os quatro anos do Lula”, declarou.
Críticas a Bolsonaro
O ministro fez duras críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citando o desmonte de políticas públicas e o enfraquecimento do pacto federativo. Entre os exemplos mencionados, destacou o fim ou a paralisação de programas como Minha Casa, Minha Vida, Mais Médicos e Farmácia Popular, além das dificuldades enfrentadas por estados e municípios para acessar recursos federais. “Para receber recursos de obras, precisava entrar na Justiça. Houve desrespeito ao pacto federativo”, disse.
Camilo também relembrou a condução da pandemia de covid-19, criticando a postura do governo anterior em relação à ciência e à vacinação. “Desrespeitou a ciência e não queria distribuir vacina para o povo brasileiro. Todo mundo lembra disso”, afirmou.
Em contraponto, o ministro ressaltou ações do atual governo Lula e os impactos diretos no Ceará. Na área econômica, Camilo mencionou o reajuste do salário mínimo com ganho real, a queda da inflação, o crescimento do Brasil acima de 3% e a redução do desemprego. Também destacou o aumento da massa salarial e a retomada dos investimentos em educação, com a expansão da rede de Institutos Federais e universidades. “São mais de 106 Institutos Federais sendo feitos no Brasil”, pontuou.
Ao tratar do cenário político estadual, o ministro afirmou que o debate no Ceará passará pela identificação de alianças e projetos políticos. “Nós vamos mostrar o projeto do Ceará, quem está do lado do Bolsonaro e quem está do lado do Lula, quem está do lado do Elmano”, afirmou.
Para Camilo Santana, a disputa eleitoral será pautada pela apresentação de resultados concretos e pela defesa de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável. “Quem trabalha pelo povo cearense e, principalmente, por aquelas pessoas que mais precisam neste Estado”, concluiu.
