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Formação e combate ao “político fictício”: projeto forma novas lideranças no Ceará

O programa Jovem Parlamentar oferece uma visão realista e positiva da política como instrumento de transformação social
Deputado Simão Pedro é o presidente da Unipace. Foto: Máximo Moura/Alece

O presidente da Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace), deputado estadual Simão Pedro (PSD), defendeu a formação política como ferramenta essencial para o fortalecimento da democracia e para a renovação qualificada das lideranças públicas no Ceará.

Nesta quinta-feira (11), a Assembleia Legislativa recebeu os 14 estudantes eleitos no programa Parlamento Jovem de 2025 para celebrar a posse simbólica dos adolescentes e marcar a participação deles no ambiente legislativo. O evento é parte da imersão programada para receber jovens representantes de todas as regiões do Estado para vivenciarem de forma prática o funcionamento do Poder Legislativo, compreendendo suas atribuições constitucionais e o papel dos parlamentares na elaboração das leis e na fiscalização dos atos do Executivo.

Em entrevista ao Opinião CE, Simão Pedro detalhou a atuação do projeto, iniciativa vinculada à Unipace que tem levado oficinas, debates e capacitações para estudantes do Ensino Médio em todas as regiões do Estado.

Segundo o deputado, o programa já percorreu diversas macrorregiões cearenses por meio de seminários das escolas legislativas, nos quais os jovens participam de atividades que abordam temas centrais da cidadania. Entre eles, a história da Ditadura Militar, a importância do voto livre e a compreensão do papel das instituições democráticas.

A proposta, afirma Simão Pedro, é apresentar aos estudantes uma visão realista e positiva da política como instrumento de transformação social.

“Esses jovens são os nossos sucessores. Se queremos lideranças comprometidas com o bem comum, precisamos formá-los agora”, destacou. O parlamentar lembra que sua própria trajetória, com experiência no Executivo (ele é ex-prefeito de Orós) e no Legislativo, reforça a necessidade de estimular novas vocações políticas. “O único meio de transformação da sociedade é a política. Mas a juventude não pode conhecer apenas o lado negativo, que muitas vezes tem mais visibilidade.”

Em sessão na Alece, Alynsson Jimenez Mulet falou em nome dos colegas de Limoeiro do Norte. Foto: Máximo Moura/Alece

Preocupação com a ascensão dos “políticos influencers”

Na entrevista, Simão Pedro também manifestou preocupação com um fenômeno crescente no debate público: políticos construídos como produtos de internet, com pouca conexão com as demandas reais da população. O deputado classificou esse perfil como “político fictício” – alguém que acumula seguidores, mas não vivencia a realidade de quem enfrenta filas de hospital, insegurança alimentar ou falta de assistência pública.

“Não podemos ter um político fake, que não tem o pé no chão. A juventude precisa entender a vida real de quem sofre, de quem precisa do amparo do Estado. É isso que buscamos mostrar nas oficinas e debates”, afirmou.

Para o presidente da Unipace, o Parlamento Jovem cumpre justamente essa função: aproximar os estudantes do cotidiano das políticas públicas, ampliando repertório, consciência crítica e capacidade de atuação social.

Formação cidadã como estratégia de longo prazo

Ao reforçar a continuidade do programa, Simão Pedro defende que formar jovens líderes não é apenas uma ação pedagógica, mas uma estratégia de sustentabilidade democrática. “Criar novas lideranças é um objetivo de qualquer político que pensa no futuro do Estado. Queremos jovens que entendam a sociedade e trabalhem por ela, não por likes”, resumiu.

Com a expansão das atividades regionais e o apoio das escolas legislativas municipais, a Unipace aposta na consolidação do Parlamento Jovem como um dos principais projetos de educação política do Ceará.