A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, à cadeira do ministro Luís Roberto Barroso, no Supremo Tribunal Federal (SFT), gerou uma crise entre o governo Lula e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo o portal CNN, Alcolumbre e Motta têm se negado a conversar com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Tentativas de contato por telefone, por exemplo, estariam sendo negadas.
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD/MG) era o favorito de Alcolumbre para a vaga deixada por Barroso no STF, que saiu do tribunal no mês passado.
O estopim do descontentamento teria sido uma reunião entre Lula e Pacheco, na última semana, onde o presidente da República tentou convencer o senador a aceitar a candidatura ao governo de Minas Gerais, viabilizando a indicação de Jorge Messias.
Mais cedo, Alcolumbre respondeu à carta de Jorge Messias, direcionada a ele, reafirmando que o Senado “cumprirá, com absoluta normalidade, a prerrogativa que lhe confere a Constituição: conduzir a sabatina, analisar e deliberar sobre a indicação feita pelo Presidente da República”.
Para tomar posse, Messias precisa passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ter o nome aprovado em votação no colegiado e no plenário da Casa.
Contudo, Alcolumbre não deu pistas de quando sabatina ocorrerá. “O Senado assim o fará, no momento oportuno, de maneira que cada senador e cada senadora possa apreciar devidamente a indicação e manifestar livremente seu voto”, finalizou.
Já o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, confirmou ao portal Metrópoles o rompimento com o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos principais articuladores do governo Lula no Congresso.
A crise teria sido causada por uma série de críticas do petista contra Motta, principalmente após a escolha do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) para relatar o projeto de Lei Antifacção, o que desagradou a base do governo.
Antes disso, Lula criticou a atual composição do Poder Legislativo, em evento que contou com a presenta do político paraibano. Na ocasião, o chefe do executivo afirmou que o Congresso nunca teve um conjunto de parlamentares de tão “baixo nível como tem agora”. Isso também teria incomodado Motta.
