O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou à Polícia Federal que utilizou um ferro de solda para tentar romper a tornozeleira eletrônica que usava desde julho, segundo relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape).
Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Marcas de queimadura e sinais de avaria
Conforme o documento da Seape, o equipamento apresentava “sinais claros e importantes de avaria”, com marcas de queimadura em toda a circunferência, especialmente na região de fechamento do dispositivo.
Questionado pelos agentes sobre o que havia causado os danos, Bolsonaro afirmou ter utilizado “solda para tentar abrir o equipamento”. Inicialmente, a equipe responsável pela vigilância foi informada de que a tornozeleira teria batido em uma escada, narrativa descartada pelos peritos.
“A tornozeleira não apresentava sinais de choque em escada”, diz o relatório.
Alertas de violação e substituição do equipamento
Segundo o centro que monitora o ex-presidente, o sistema gerou um alerta de violação às 00h07 deste sábado. A equipe de escolta, que permaneceu posicionada nas imediações da residência de Bolsonaro durante todo o período de prisão domiciliar, foi acionada para verificar o equipamento.
Após autorização para entrar no imóvel, os agentes procuraram um espaço iluminado para fazer a inspeção. O aparelho danificado foi recolhido, e a Seape substituiu a tornozeleira por outro dispositivo.
“Após confirmação de funcionamento regular, captação contínua de sinal e teste de tração, o monitorado foi liberado para retornar ao repouso”, afirma o documento.
Vídeo registra diálogo entre Bolsonaro e agentes
Um vídeo registrado pela equipe da Seape mostra Bolsonaro admitindo aos agentes ter usado “ferro quente” para queimar o equipamento, detalhando que se tratava de um ferro de solda. No diálogo, os policiais perguntam se ele havia tentado puxar a pulseira, o que ele nega, e questionam o horário em que a ação começou, ao que o ex-presidente responde: “Final da tarde.”
Contexto da prisão
Bolsonaro foi preso preventivamente por determinação de Alexandre de Moraes após a convocação de uma vigília de apoiadores em frente à sua residência, ato considerado pela Polícia Federal como risco à ordem pública.
A tentativa de violação da tornozeleira eletrônica reforça, segundo o STF, o descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, que já estava proibido de usar redes sociais, de manter contato com autoridades estrangeiras e de sair de casa sem autorização.
O ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no caso do Núcleo 1 da trama golpista, agora permanece preso em uma sala de Estado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
