Em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal que decide se condena ou não o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus pela trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes foi alvo de ataques pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
Conforme o filho do ex-mandatário, o relator faz uso de palavras sem “embasamento jurídico” e sem “absolutamente nenhuma prova”, acusando Moraes de estar manipulando o processo judicial.
O parlamentar inclusive nomeou o plano Punhal Verde e Amarelo, como “ficção”. A trama é a que constava o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além do próprio Moraes.
“Tristeza no coração ver como uma pessoa pronuncia um voto político com tanta raiva, parecia um líder do PT no Supremo. Na cabeça dele, Jair Bolsonaro queria matá-lo, é o que ele acusa, como se ele tivesse alguma participação no tal Plano Punhal Verde e Amarelo”, completou Flávio.
Os ataques vieram logo após o voto a favor da condenação de Bolsonaro proferido pelo ministro, e de uma recém-denúncia feita pelo ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro. Segundo ele, Moraes teria forjado data de embasamento de busca e apreensão contra um grupo de empresários ainda nas eleições de 2022.
“Que seja aberta uma investigação e que seja suspenso esse julgamento que está em andamento até que essa investigação seja concluída pelo bem da democracia”, defendeu o senador.
Durante seu voto, Moraes chegou a citar o chamado Plano Punhal Verde e Amarelo, mencionando a impressão do papel pelo general Mário Fernandes antes de uma reunião do militar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022.
“Não é razoável achar que Mário Fernandes imprimiu no Palácio do Planalto, se dirigiu ao Palácio da Alvorada, onde estava o presidente, ficou uma hora e seis minutos e fez barquinho de papel com a impressão do Punhal Verde e Amarelo. Isso é ridicularizar a inteligência do tribunal”, afirmou o ministro.
Conforme o magistrado, há muitas provas que mostram com detalhes o plano. Conforme a Polícia Federal, a trama foi elaborada pelos militares das Forças Especiais do Exército, os chamados kids pretos. Segundo o ministro, foram impressas outras cópias no Planalto, em um horário em que estavam Mário Fernandes, Rafael Martins de Oliveira, Mauro Cid e Bolsonaro.
VOTO DE MORAES
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, finalizou o seu voto no julgamento da trama golpista com o entendimento pela condenação, pelos cinco crimes acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos outros sete réus.
Em sua fala, o ministro defendeu a validade da delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. As defesas dos demais réus acusavam que as falas de Cid eram contraditórias e que teria apresentado “oito versões diferentes”.
Ainda conforme ele, o que está em julgamento no STF não é se houve ou não tentativa de golpe, mas sim o envolvimento dos réus. “Não há dúvida de que houve tentativa de golpe”, pontuou.
Moraes alegou que o grupo, que chama de “organização criminosa”, deu início a planos para se perpetuar no poder a partir de julho de 2021. O ministro disse ainda que Bolsonaro é o líder de tal organização criminosa.
