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Resultado de anuário da segurança pública repercute entre Governo e oposição no Ceará

Enquanto o Governo lembra que os dados são de 2024 e que, no cenário atual, o resultado seria diferente, a oposição ao governador Elmano de Freitas (PT) pede ações imediatas para contornar a situação
Foto: Divulgação/SSPDS

O Anuário Brasileiro da Segurança 2025 foi divulgado nesta quinta-feira (24). Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), três cidades cearenses aparecem entre as 10 com maiores taxas de mortes violentas no Brasil, considerando apenas os municípios com mais de 100 mil habitantes. Maranguape ocupa o 1º lugar, Caucaia o 8º e Maracanaú o 9º.

No ranking, Maranguape registrou 79,9 mortes por 100 mil moradores; Caucaia teve 68,9; e Maracanaú, 68,5 mortes a cada 100 mil habitantes. Os dados são referentes ao ano de 2024.

Localizados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), os três municípios foram citados pela pesquisa como exemplos de áreas onde a disputa entre facções criminosas impulsiona a violência e aumenta a sensação de insegurança.

A repercussão dos números gerou avaliações distintas sobre a realidade vivida pela população. O secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Ceará, Chagas Vieira, afirmou que os dados retratam o cenário de 2024 e não correspondem à situação atual. Em sua avaliação, as cidades mencionadas “certamente, hoje, já não figuram mais nesse ranking negativo“.

Em publicações nas redes sociais, o secretário destacou a redução dos homicídios em Maranguape, Caucaia e Maracanaú durante o primeiro semestre de 2025. Maranguape teve queda de 29%, Caucaia reduziu em 20% e Maracanaú apresentou diminuição de 16,3%.

No contexto estadual, o anuário mostra que o Ceará ocupa a terceira posição entre os estados com maiores taxas de mortes violentas, atrás apenas do Amapá e da Bahia. Em 2024, foram 37,5 mortes por 100 mil habitantes no território cearense.

De acordo com Chagas Vieira, os dados do primeiro semestre de 2024 foram negativos, mas a partir da segunda metade do ano houve mudança no comando da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Na ocasião, o então secretário Samuel Elânio foi substituído por Roberto Sá.

Com as alterações na gestão, os índices de violência começaram a recuar. Segundo o secretário, o ano de 2025 já registra uma queda de 16,6% nos homicídios. “Vamos enfrentar e vencer!”, escreveu ele.

Entre os parlamentares, a oposição também se manifestou. O deputado estadual Cláudio Pinho (PDT) foi o primeiro a comentar, afirmando nas redes sociais: “Ceará no topo da violência nacional”.

Em seu posicionamento, o deputado cobrou uma “ação enérgica” para reverter a situação. “Fico indignado, pois a população está sofrendo”, declarou. Ele destacou ainda que, conforme o FBSP, 83% das vítimas eram homens e 44% tinham entre 18 e 29 anos. “Estamos perdendo nossos jovens para o crime, para a ausência de oportunidades e para a falta de políticas públicas eficazes”, lamentou.

“A imagem do Ceará não pode continuar atrelada ao medo”, concluiu o parlamentar.

SSPDS REBATE

A SSPDS contestou os dados do anuário com estatísticas atualizadas até o primeiro semestre de 2025. A pasta ressaltou que, desde o segundo semestre de 2024, os índices de mortes violentas vêm caindo, reflexo de mudanças estratégicas, reforço no policiamento e ampliação do uso de inteligência.

Conforme informações da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), o Estado apresentou redução de 9,1% nos crimes violentos letais intencionais (CVLIs) no segundo semestre de 2024, em comparação com o primeiro. Em relação ao mesmo período de 2023, a queda foi de 1,6%. Em 2025, a diminuição das mortes violentas chegou a 16,6% em todo o Ceará e a 17,9% na RMF.

Outro destaque foi o aumento nas prisões por crimes graves. Ao todo, 1.421 pessoas foram detidas no primeiro semestre de 2025 por envolvimento em homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais que resultaram em morte — crescimento de 28,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. As apreensões de armas também subiram 8,7%, com mais de 3.500 unidades retiradas de circulação nos seis primeiros meses do ano.

A SSPDS também ressaltou os investimentos em equipamentos, radiocomunicação, novos batalhões e delegacias, além da reestruturação das Forças de Segurança. De 2023 até abril de 2025, foram convocados 3.053 novos profissionais da área.

Por fim, a SSPDS destacou a importância da colaboração da população com denúncias anônimas. As informações podem ser encaminhadas pelo Disque 181, pelo WhatsApp (85) 3101-0181 ou pelo site https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br.