A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), deixou uma audiência na Comissão de Infraestrutura (CI) após discussão com senadores. Na ocasião, a titular da pasta foi cobrada por uma suposta demora na liberação de licenças ambientais para projetos como o da BR-319, que liga Manaus-AM a Porto Velho-RO. Após o senador Plínio Valério (PSDB-AM) afirmar que a ministra “não merece respeito”, Marina disse que se retiraria caso o parlamentar não pedisse desculpas. Como o tucano não perdoou, a ministra deixou a audiência.
“Sou ministra do Meio Ambiente, foi nessa condição que fui convidada, e ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude”, disse.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse que a afirmação de Plínio Valério — que já tinha falado, em ocasião anterior, em enforcar Marina — não cabe em um debate institucional. “O debate político pode ser caloroso, pode expressar as divergências, os pontos de vista, mas manifestação de desrespeito é inaceitável”, disse ele, que recomendou que a ministra se retirasse da audiência.
Ainda antes da discussão com Plínio, o presidente da Comissão, Marcos Rogério (PL-RO), havia pedido para a ministra “se pôr em seu lugar”, depois de a titular da pasta ter afirmado que não é “uma mulher submissa”. De acordo com o senador, ele se referia à condição de ministra de Estado. A fala gerou repercussão entre parlamentares presentes.
Marina foi convidada a partir de requerimento do senador Lucas Barreto (PSD-AP) para tratar da criação de unidades de conservação marinha no Norte. O parlamentar, conforme o requerimento, tem preocupação de que as áreas impossibilitem a prospecção e a exploração de petróleo na Margem Equatorial, no Amapá.
