O senador Cid Gomes (PSB) disse que uma possível candidatura do seu irmão e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ao Governo do Ceará seria um “terrível constrangimento”, talvez o maior da sua vida. Para as eleições de 2026, o parlamentar apoia a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Em entrevista à rádio “O Sobralense”, o ex-governador disse que jamais poderia estar no palanque de Ciro ao lado de bolsonaristas e do grupo do ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil).
De acordo com o pessebista, que diz ter afinidade com o seu irmão na questão da política nacional, ele discorda do rumo que Ciro tem tomado no âmbito estadual. “Essa coisa de se aliar ao que há de mais atrasado na política do Ceará, acho que o fim não justifica os meios. Sempre achei isso”, afirmou.
Na sequência, ele disse não se enxergar ao lado de nomes como Wagner, o também deputado federal André Fernandes (PL) e os deputados estaduais Sargento Reginauro (União Brasil) e Carmelo Neto (PL).
“Fico numa situação absolutamente constrangedora. Será, talvez, o maior constrangimento da minha vida, e já tive que passar por constrangimento por conta de visões diferentes em relação à política estadual”, pontuou.
O senador disse que está na torcida para que Ciro cumpra “a tarefa dele”, que, segundo o pessebista, é “atuar na política nacional”. Conforme ele, foram realizadas duas reuniões entre os dois, uma no fim do ano passado e uma neste ano. “Tive oportunidade de dizer para ele, há dois meses: ‘O Brasil, hoje, está um pouco diferente do Brasil de quatro anos atrás’”, disse, sobre a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
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Na opinião de Cid, “poucos brasileiros são tão competentes” quanto Ciro. “Muita gente tem muito papo, mas, quando chega na gestão, não fazem coisa nenhuma e são desonestos. Ciro consegue associar as duas coisas: é excelente orador, coloca bem suas ideias e é um gestor”, elogiou.
“Ele, sendo candidato a presidente, teria mais oportunidades. Para ganhar eleição, é pouco provável, mas para ser uma pessoa fundamental na decisão da sequência”, pontuou, em relação ao segundo turno. O ex-governador, no entanto, não deixou de criticar o posicionamento de Ciro no turno adicional de 2018.
“Mas aí é para atuar, não é para ir embora para a França e deixar o mundo pegando fogo. Acho que é um grande momento para ele ser candidato à Presidência”, completou.
