Após ter a vida interrompida pelas forças de repressão da ditadura militar brasileira, 53 anos depois, Bergson Gurjão Farias se unirá aos mais de 130 mil egressos formados pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Visando à reparação histórica, a concessão do título de graduação post mortem será realizada nesta sexta-feira (16), às 17h30, na sala do Conselho Universitário (Consuni), na Reitoria.
A data foi escolhida por ser véspera do aniversário do homenageado, que teve seu título póstumo aprovado por unanimidade pelo Consuni, em dezembro de 2024. O evento é aberto ao público e contará com a presença de familiares de Bergson.
Além da UFC, outras universidades também têm promovido ações de reparações históricas. Em 2024, a UnB concedeu diploma póstumo a Honestino Guimarães, símbolo da resistência à ditadura. Já a UFMG homenageou quatro estudantes mortos pelo regime com diplomas in memoriam.
QUEM FOI BERGSON?
Bergson foi líder do movimento estudantil, vice-presidente do DCE e diretor do Centro Acadêmico dos Institutos de Ciências da UFC nos anos 1960. Ele teve a matrícula cassada pela ditadura militar por sua atuação política. Perseguido, foi deslocado para a militância clandestina.
Na Guerrilha do Araguaia, em maio de 1972, aos 25 anos, foi morto pelo Exército e declarado como desaparecido. Seus restos mortais foram identificados por DNA nos anos 1990, o que permitiu à família realizar um funeral digno. O velório ocorreu na Reitoria da UFC.
Em 6 de outubro de 2009, com honras de Estado, os restos mortais de Bergson foram transferidos de Brasília para Fortaleza em um avião da FAB. Quatro meses depois do rito, sua mãe, Luiza, faleceu aos 95 anos.
Em 2024, foi aberta a exposição “Sementes de Lutas“, que marcou a inauguração do Espaço Cultural Bergson Gurjão Farias. Na ocasião, a UFC entregou o Termo de Reconciliação Histórica a ex-militantes estudantis perseguidos pela ditadura.
