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Cid critica ausência de debate sobre elevação de juros: “Precisamos sair desse círculo vicioso”

Nesta terça-feira (22), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado
Durante reunião com o presidente do BC, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Cid Gomes disse que há uma pequena minoria que ganha com esses juros, que seriam os agentes do mercado financeiro. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O senador Cid Gomes (PSB) criticou a ausência de um debate sobre os aumentos da taxa de juros no Brasil. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participou de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (22). Ele foi questionado pelos parlamentares, incluindo Cid, sobre o quinto reajuste consecutivo da taxa básica de juros (Selic), que chegou a 14,25%. Segundo o ex-governador cearense, “o Brasil precisa sair desse círculo vicioso”.

De acordo com o pessebista, a taxa de juros elevada serve com exclusividade ao mercado, e não ao Brasil. “Isso é uma mamata das grandes”, disse ele, que destacou ser contra a autonomia que o órgão financeiro possui. Mesmo sendo uma autarquia ligada ao Governo, o BC pode elevar as taxas sem o aval do Executivo.

“Há quem ganhe muito com isso. O sistema financeiro ganha muito com isso. Os fundos de investimento, que remontam ao tal sistema financeiro, ganham muito com isso”, acrescentou.

Com uma dívida pública atualmente de R$ 9 trilhões e uma taxa de juros projetada de 14,5%, o déficit do Brasil deve aumentar em R$ 1,3 trilhão ao ano. Como explicou Cid, o valor é superior aos orçamentos de pastas como Educação, Saúde e Infraestrutura juntas. “Não chega à metade”. O senador disse estar “absolutamente incomodado com a ausência de debate sobre a política monetária do País”.

Ainda conforme o ex-governador, não é inteligente que o único instrumento utilizado para o combate à inflação seja a elevação dos juros. Ele disse que o Governo está cumprindo o papel de “Robin Hood ao contrário”. “No final das contas, o Banco Central é Governo, e é o Banco Central quem tira dos pobres, dos trabalhadores, dos que empreendem, para dar aos especuladores”, completou.

O QUE DISSE GALÍPOLO

Segundo o presidente do Banco Central, a última elevação da taxa básica de juros também foi impactada pela imposição de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele considera que está em andamento a avaliação de uma possível desaceleração internacional. “É perceptível, entre os agentes econômicos, uma dúvida sobre para onde se deve procurar proteção no momento de aversão a risco”, disse.

O presidente do Banco Central explicou ainda que estão “tateando” um ajuste, para verificar se o ciclo de alta dos juros que tem sido adotado está em um patamar restritivo o suficiente. Ele defendeu que a normalização da política monetária vai demandar uma série de reformas contínuas, entre elas a ampliação do acesso da população a um crédito de menor custo.

Ainda como explicou Galípolo, o tema dos juros comparativamente elevados não é novo. “É um debate que há algumas décadas tem ocupado o debate acadêmico e a literatura econômica brasileira. E aí, essa relação sobre os caminhos, que são a fluidez do mecanismo de transmissão da política monetária, é relevante para a gente poder analisar”, finalizou.