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Quaest: Donald Trump é visto negativamente por 43% dos brasileiros

A pesquisa foi realizada antes do anúncio oficial das medidas tarifárias que ameaçaram as exportações do Brasil, com taxas de 10%
Na semana passada, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil. A decisão foi defendida por Bolsonaro e por políticos alinhados. Foto: Carlos Barria/ Reuters

O presidente dos Estados, Donald Trump, é visto negativamente por 43% dos brasileiros. É o que diz a pesquisa Quaest, divulgada nesta última terça-feira (8). Enquanto 22% avaliam o norte-americano de forma positiva, outros 23% o consideram regular. O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 31 de março, antes do anúncio do chamado “tarifaço” por parte de Trump. Entre as mulheres, a rejeição ao ex-presidente é maior, 47% delas afirmam ter uma imagem negativa de Trump, ante 38% dos homens. A margem de erro nesse recorte é de 3 pontos percentuais.

Já antes do anúncio das medidas tarifárias de Trump, 53% dos brasileiros defendiam uma reação diplomática do Brasil às medidas trumpistas. Outros 33% já apoiavam a adoção de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos como forma de retaliação.

Em relação às preferências políticas dos entrevistados, entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022, 61% têm uma imagem negativa de Trump. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o índice é de 20%. A margem de erro nesse grupo é de 4 pontos percentuais.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 27 e 31 de março. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro média é de 2 pontos percentuais.

TARIFAS DE TRUMP

Na semana passada, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil. A decisão foi defendida por Bolsonaro e por políticos alinhados. “A única resposta razoável à tarifação recíproca dos EUA é o governo Lula extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos, inviabilizando o povo brasileiro de ter acesso a produtos de qualidade mais baratos”, afirmou Bolsonaro em suas redes sociais.

Enquanto isso, o governo brasileiro tem se posicionado com cautela, embora esteja sendo pressionado pelo Congresso a aderir à proposta de reciprocidade, recentemente aprovada no Senado, o que já foi negado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

Após a oficialização do tarifaço, o Palácio do Planalto lançou a campanha “Brasil dos brasileiros”, que busca resgatar símbolos nacionais e conquistar eleitores não simpáticos ao PT. Durante um evento que celebrou os dois anos de mandato, Lula também fez críticas ao presidente norte-americano.

Na última semana, Lula afirmou que o Brasil tomará “todas as medidas cabíveis” diante da decisão do governo norte-americano.

“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio. E responderemos a qualquer tentativa de impor um protecionismo que não cabe mais hoje no mundo. Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as nossas empresas e os nossos trabalhadores, tendo como referência a lei da reciprocidade econômica, aprovada ontem pelo Congresso Nacional, e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio”, pontuou o chefe do Executivo.

Outros países têm sofrido retaliações em maior escala, como a China. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que os Estados Unidos vão cobrar tarifas de 104% sobre os produtos chineses a partir desta quarta-feira (9). Mais um episódio da guerra comercial entre os países.