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Lula participará de Cúpula da Celac para tratar sobre integração da América Latina

A entidade é a única organização que reúne os 33 países latino-americanos e caribenhos; os principais temas abordados pelo Brasil serão a migração e taxações de Trump
A participação do presidente é um sinal da prioridade, que sempre foi dada pelo presidente Lula e pelo Brasil à integração.  Foto: Ricardo Stuckert / PR

Nesta terça-feira (8), o presidente Lula (PT) participa, em Honduras, da 9ª Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a única organização que reúne os 33 países latino-americanos e caribenhos. O evento começa nesta segunda-feira (7), com uma reunião de coordenadores, e inclui uma reunião de ministros das Relações Exteriores na terça-feira.

Já na quarta-feira (9), será o encontro da cúpula propriamente dita. A Cúpula também marca o fim da presidência pro tempore de Honduras e sua transferência para a Colômbia. Para a embaixadora e secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Gisela Padovan, a participação do presidente Lula é um sinal da prioridade, que sempre foi dada pelo mandatário e pelo Brasil à integração. 

“Na nossa Constituição, no Artigo 4º, consta que o Brasil deve buscar exatamente a Celac: a construção de uma comunidade de nações latino-americanas e caribenhas”, afirmou embaixadora Gisela Padovan.

A Cúpula faz parte de um processo de revitalização da Celac. Conforme destaca Padovan, a entidade foi enfraquecida nos últimos anos, citou a saída do Brasil da Celac no governo anterior, e lembrou que Lula decidiu que o país deveria voltar ao grupo logo no início do terceiro mandato. “O sonho da integração existiu desde Bolívar, desde San Martín [líderes dos processos de independência de países da América do Sul], que se falava essa visão de que juntos temos mais condição de enfrentar os desafios globais e também de nos desenvolvermos e resolvermos nossos problemas internos e regionais”, acrescentou a embaixadora.

A expectativa do Itamaraty é que a Cúpula realize um debate amplo sobre todos os temas da atualidade. Além disso, Honduras deve transferir para Colômbia à presidência do bloco. No final, deve ser publicada uma declaração conjunta da região. 

TARIFAS, IMIGRAÇÃO E MUDANÇAS

O encontro da Celac acontece em meio a momento de tensão na região em meio ao endurecimento das políticas de imigração do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, bem como das mudanças nas tarifas de importação e exportação. 

Contudo, o Itamaraty informou que o tema das tarifas não estava na pauta das negociações, uma vez que a agenda foi preparada anterior ao anúncio das medidas impostas pelo chefe do executivo norte-americano. Por outro lado, o tema da imigração será um dos destaques da Cúpula. A ideia é reativar um grupo de trabalho que existia na Celac para tratar do tema. 

Além disso, entre as propostas do Brasil que serão discutidas está a escolha de uma única candidatura feminina para disputar a secretária-geral das Nações Unidas (ONU) diante do fim do mandato do atual chefe da ONU, António Guterres, programado para o ano que vem. 

Devem participar do encontro ainda a presidente do México, Claudia Sheinbaum; da Colômbia, Gustavo Petro; da Bolívia, Luis Arce; do Uruguai, Yamandú Orsi; de Cuba, Miguel Diáz-Canel, entre outros, conforme confirmou o governo hondurenho, que organiza a Cúpula dessa semana.

CELAC

Fundada em fevereiro de 2010, a Celac reúne todos os países da América Latina e do Caribe que abrangem uma área de mais de 22 milhões de km², o que equivale a cinco vezes o território da União Europeia. A população total somada, de 670 milhões, é o dobro do número de habitantes dos Estados Unidos.