Deputadas entraram com pedido de cassação contra o senador Plínio Valério (PSDB-AM) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar (CEDP). O parlamentar, no último dia 14 de março, falou em enforcar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede). “Imagina vocês o que é ficar com a Marina 6 horas e 10 minutos sem ter vontade de enforcá-la?”, disse ele, na ocasião. Assinaram o documento nove parlamentares de partidos distintos, incluindo a deputada federal cearense Enfermeira Ana Paula (Podemos), que falou sobre o assunto ao OPINIÃO CE.
Com a entrada no CEDP, o Conselho deve acatar a denúncia e instaurar um processo administrativo-disciplinar. Caso isso ocorra, Plínio será notificado sobre possíveis penalidades éticas e disciplinares. Assinaram o termo as seguintes deputadas:
- Benedita da Silva (PT-RJ);
- Duda Salabert (PDT-MG);
- Enfermeira Ana Paula (Podemos-CE);
- Gisela Simona (União Brasil-MT);
- Jandira Feghali (PCdoB-RJ);
- Laura Carneiro (PSD-RJ);
- Maria Arraes (Solidariedade-PE);
- Tábata Amaral (PSB-SP);
- Talíria Petroni (Psol-RJ).
O deputado Túlio Gadelha (Rede-PE), correligionário de Marina, também assinou o documento. Dentre os partidos com representatividade na Câmara dos Deputados, não assinaram nenhum integrante do Avante, Cidadania, PL, PSDB, Novo, PP, PRD, PV e Republicanos.
Segundo Ana Paula, a fala do senador demonstra total desrespeito com as mulheres que ocupam os espaços políticos. “Me sensibilizei de imediato, pois sofri na pele por quatro anos violência política de gênero na Câmara de Fortaleza. Devemos combater qualquer tipo de fala que incite a violência contra as mulheres”, disse ela, lembrando a sua experiência no Legislativo municipal. Ela ressaltou ainda que é necessário intensificar os mecanismos de combate à violência política de gênero.
“Com certeza precisamos avançar e muito, desconstruir o cenário machista e a ideia de que os espaços de decisão não são para as mulheres. Cada dia ganhamos mais espaço através da nossa competência, não podemos recuar”, acrescentou.
Ainda como explicou, ela espera que seja feita justiça no Senado, com a cassação do parlamentar, mas ressaltou que será necessário aguardar o andamento da solicitação. Dentre os integrantes do CEDP está o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já teceu críticas à postura do seu colega de parlamento.
A deputada cearense colocou a fala como “irresponsável, violenta e desnecessária”. “Os parlamentares possuem diferentes opiniões, mas como mulher sempre defenderei o respeito. A fala busca diminuir a ministra e sua força como mulher”, destacou.
