A ação do crime organizado nas grandes metrópoles preocupa e afeta o dia-a-dia da população. Em Fortaleza não é diferente. A situação de violência e insegurança que assola a cidade atrapalha, até mesmo, o acesso a serviços e equipamentos públicos. Na capital cearense, os Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cucas) são complexos que visam levar serviços, cursos e projetos esportivos e culturais às juventudes dos bairros periféricos da cidade. O secretário municipal da Juventude de Fortaleza, Júlio Brizzi (PT), falou sobre como os equipamentos auxiliam os demais entes do Executivo nas políticas de segurança.
“A política de segurança tem que ser unificada, mas cada ente tem o seu papel. Aos municípios, de uma maneira geral, cabe-lhes o papel da prevenção. Precisa ter rua iluminada, serviço funcionando, escola, atividades esportivas e culturais”, disse ao podcast Questão de Opinião, do OPINIÃO CE.
Segundo o titular da pasta, o Cuca é um grande aliado na prevenção à violência juvenil. Como explicou Brizzi, os jovens, passando por uma fase de transição, têm necessidades. “Eles estão com o corpo em desenvolvimento, com o cérebro em desenvolvimento, têm necessidades físicas e sentimentais, têm que se socializar, que encontrar um nicho em que seja aceito e precisam encontrar o que gosta de fazer, se é dançar, estudar, jogar bola. Ele tem que ter essa oportunidade para poder se desenvolver”, afirmou.
Para isso, conforme o secretário, precisam ser criados “ciclos positivos” para o jovem. Sem a ação do Poder Público, a cooptação daquela pessoa ao crime organizado fica facilitada. Brizzi explicou: “Se o poder público, a família e o entorno não favorecem, ele vai ver o Estado muitas vezes através da polícia, que tem o conflito, que às vezes acontece. É uma impressão que acaba criando o ódio, a raiva, ou de um colega que viram que morreu”, pontuou, lembrando que não está demonizando a polícia, mas que existem situações em que há excessos.
“Se não tiver um ciclo positivo para esse jovem, ao mesmo tempo, vai ter um cara do lado dele oferecendo um bocado de facilidade. Dando dinheiro, chamando ele de família, fazendo com que ele tenha vários prazeres da vida que o jovem quer. Além de facilidades, se, em casa, a mãe tem um problema, ele vai ganhar dinheiro para poder pagar, vai deixar de ser o cara que não pode ajudar em nada”.
Ele frisou, entretanto, que não há nada de positivo para este jovem. “Cai nesse ciclo que é horrível, porque, muitas vezes, a vida dele vai durar menos, muitas vezes vai ter restrição para o resto da vida, vai perder um tempo, não vai estar investindo no conhecimento e aprendizado dele, em formar uma família, poder ter um lugar. Não vai estar fazendo isso. É um prejuízo enorme para as pessoas que se envolvem, para a família e para o entorno todo”, completou.
NOVOS CUCAS
De acordo com o titular da Secretaria da Juventude de Fortaleza (Sejuv), em 2018 e 2019 foi realizada uma pesquisa que destacou, como um dos “grandes problemas” apontados pelos jovens, que a população local não achava que o equipamento era público. “Achavam que era pago”. Após o resultado do levantamento, foi feito um trabalho para trazer a comunidade próxima aos Cucas.
Em Fortaleza, até o momento, existem cinco Cucas: Barra do Ceará, Pici, Mondubim, José Walter e Jangurussu. Está em construção um no Vicente Pinzon, na comunidade do Alto da Paz. O prefeito Evandro Leitão (PT), durante sua campanha, falou sobre dobrar o número de unidades, chegando a 10. Como informou Brizzi, ainda não há previsão de onde poderão ser construídos os novos Cucas.
“Da minha parte, já trabalho para fazer o projeto para os novos quatro Cucas e captar o recurso para fazer o que puder fazer dentro desses quatro anos. Já estou trabalhando, tive a primeira reunião, terei outra em fevereiro e estou trabalhando nisso para viabilizar um novo projeto para construir os quatro novos cucas”, finalizou.
