Nesta quarta-feira (8), faz dois anos desde os ataques antidemocráticos às sedes dos três poderes, em Brasília. Contrários à posse do presidente Lula (PT), apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram os prédios e vandalizaram o local. No segundo aniversário dos ataques, lideranças políticas cearenses relembram o caso, que é considerado a investida contra a democracia brasileira desde o fim da Ditadura Militar. O ministro da Educação, Camilo Santana (PT) defende que “todo dia é de defender a democracia”. “Neste 8 de janeiro, o Brasil abraça mais uma vez a democracia e o respeito às instituições da nossa República. Todo dia é dia de defender a democracia. Viva o Brasil!”.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), esteve presente no ato promovido pelo Palácio do Planalto. Em suas redes sociais, ele afirmou que “para nós, o dia de hoje representa o respeito às instituições, a retomada do pacto federativo e o repúdio ao autoritarismo e ao fascismo”. O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), destaca a importância de relembrar o dia 8 de janeiro, para “não esquecermos da democracia com valor inegociável”.
“Lembrar sempre deste dia 8 de janeiro para não esquecermos da democracia como valor inegociável do nosso país, buscando, a partir dela, a justiça e a igualdade de oportunidades para todas as pessoas”, disse o prefeito Evandro.
O deputado estadual Romeu Aldigueri, próximo presidente da Alece, destacou que, no Ceará, a Lei Nº 18.367, de sua autoria, instituiu o Dia Estadual em Defesa da Democracia. “Que este dia seja um marco para reafirmarmos que a democracia é inegociável e deve ser defendida todos os dias”, definiu o parlamentar.
Opositor dos petistas, o senador Eduardo Girão (Novo) também relembrou do caso, fazendo críticas quanto ao que considera ser uma diferença de tratamento dado a outras manifestações. “Os dois pesos e duas medidas em relação a atos de manifestações de anos anteriores é escancarado assim como a democracia relativa patrocinada pelo vingativo governo Lula que parece ter preparado uma arapuca, uma armadilha para intimidar seus adversários políticos”, alegou o senador Girão.
Presidente estadual do PL, o deputado estadual Carmelo Neto publicou em suas redes sociais: “A esquerda, que hoje grita ‘sem anistia’ para os presos do 08/01, foi a mesma que defendeu a anistia de Dilma, acusada de associação criminosa, terrorismo e porte ilegal de armas”. O deputado se refere à atuação da ex-presidenta na luta armada de setores da esquerda durante a Ditadura Militar, regime de exceção que chegou ao poder por meio de um golpe de estado e que aboliu direitos, perseguiu, torturou e assassinou opositores do regime.
Na época, os atos antidemocráticos provocaram um prejuízo de mais de R$ 26 milhões. Atualmente, 371 pessoas são condenadas pelo Supremo Tribunal Federal (SFT) por incitação ou execução dos atos golpistas. As penas variam de três a 17 anos de prisão, sendo que 70 condenados já cumprem penas de forma definitiva, ou seja, não podem mais recorrer.
ABRAÇO À DEMOCRACIA
Em alusão aos dois anos dos ataques, Lula promoveu, nesta quarta-feira (8), uma programação em memória ao episódio como forma de repúdio aos ataques antidemocráticos. Na ocasião, foram restituídas ao patrimônio público 21 peças de arte recuperadas, que haviam sido vandalizadas durante os ataques. O evento ainda contou com discursos e a descida da rampa do Palácio do Planalto de autoridades dos três poderes para um abraço simbólico à democracia.
