O presidente da Central Única das Favelas do Ceará (Cufa Ceará), Wilton dos Santos, conhecido como “Piqqueno”, sugeriu que a Prefeitura de Fortaleza crie a Secretaria das Favelas. Em entrevista ao OPINIÃO CE, ele destacou que o objetivo é ter uma pasta que “funcione, de fato” e que seja direcionada às pessoas que moram nas favelas da capital cearense. “Uma Secretaria que possa ter dinheiro. Se não, a gente vai montar só uma secretaria apenas consultiva”, pontuou.
De acordo com ele, a construção de melhores políticas públicas para as favelas também pode ocorrer com a conjuntura entre mais pastas como educação, esportes e cultura, não sendo obrigatória a construção da Secretaria. “Se tem show e Réveillon na Praia de Iracema, tem que ter no Jangurussu também. Por que não tem?”, questionou. “Fortaleza tem que funcionar da [Avenida] Pontes Vieira para trás também, não é só da Pontes Vieira para a Praia de Iracema”, acrescentou.
“Por que essa cultura não chega lá, onde as pessoas são fazedoras de cultura, têm banda de forró, banda de reggae? Mas as pessoas não abrem show. Não fazem parte”.
Segundo Piqqueno, independente dos “lados políticos”, os agentes precisam pensar no melhor para as comunidades. Em relação ao diálogo com o prefeito eleito, Evandro Leitão (PT), Piqqueno aposta em uma boa relação. Como afirmou o presidente da Cufa cearense, é preciso haver uma “continuidade melhorada” nas políticas públicas para a população das favelas. “Claro que existem estudos técnicos dos territórios, o que é mais importante para as pessoas, mas, às vezes, faltam coisas simples. Tem favela que não tem papel da casa”, pontuou. Ele ressalta que é preciso conversar com as pessoas que estão convivendo nos espaços e que as ações façam parte de um “projeto de estado”, não o “projeto de alguém”, que é descontinuado em eventuais mudanças de gestão.
DIÁLOGO INSUFICIENTE
Conforme Piqqueno, o diálogo do Poder Público com as favelas existe, mas é pouco e insuficiente. “Tem que acontecer, mas não para legitimar que a gente fez o encontro ou que a gente fez uma audiência pública. Tem que acontecer na ponta”. O presidente destacou que é importante que as políticas públicas estejam nas favelas para que as políticas cheguem a essa população, e não o contrário, quando os moradores das comunidades precisam sair de seus locais de origem.
“Se o Poço da Draga [favela no Centro de Fortaleza] sair daquela região, vai para onde?”, questionou, lembrando de uma discussão que já ocorre em Fortaleza. “O necessário é melhorar a vida das pessoas que estão lá”, completou.
Ele citou que é importante levar serviços públicos para melhorar a vida das pessoas já presentes nessas comunidades, que já têm uma identidade formado em relação ao seu espaço. Na capital cearense, existem críticas em relação à localização de conjuntos habitacionais. O Residencial Cidade Jardim, no bairro José Walter, por exemplo, é citado como um conjunto de moradias que foi construído longe do Centro da cidade, onde as coisas, normalmente, acontecem.
Segundo o presidente da Cufa, as pessoas que participam da construção de políticas públicas nos entes do Executivo são “de fora do território”. “Tem que ter diálogo com as pessoas para saber o que pode ser feito e o que tem que mudar. Só não pode ir lá, de dois em dois anos, quando temos as eleições. É preciso termos ações permanentes”, finalizou.
Com texto de Felipe Barreto e Rodrigo Rodrigues.
