O produtor cultural e candidato à Prefeitura de Fortaleza, Técio Nunes (Psol), prometeu que, se eleito, sua gestão construirá 80 mil moradias populares na Capital. Segundo o postulante, essa foi uma parte do seu programa de governo que ele brigou para que ficasse dentro das ações apresentadas. De acordo com ele, durante os debates para a construção do plano, a equipe ponderou que construir 80 mil moradias seria uma ação inexequível. Técio, no entanto, defende que o número nem mesmo zeraria o déficit habitacional da cidade, que é de 120 mil famílias.
“Eu acho que, de fato, e falando com toda a sinceridade do mundo, é difícil construir 80 mil apartamentos. Mas acho que esse tem que ser um horizonte que cada prefeito, governador e presidente tem que buscar. Não estou dizendo que é a Prefeitura que vai bancar isso sozinho”, ressaltou.
Técio participou de sabatina organizada pelo grupo OPINIÃO CE em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). A conversa completa fica disponível no canal do OPINIÃO CE no YouTube a partir de segunda-feira (16).
O candidato lembrou que, apesar de ter o maior PIB do Nordeste, Fortaleza ainda possui um problema de distribuição de riqueza. “Somos uma cidade onde tem gente que anda de Porsche, Mercedes e BMW e temos pessoas que não têm o que comer. Um carro desse, se duvidar, dava para fazer não sei quantos apartamentos populares. Essa é a nossa realidade”, criticou. O psolista questionou em que momento será feito um debate com o empresariado da capital cearense para que possa se discutir a divisão da receita.
SEGURANÇA PÚBLICA
Conforme ele, a distribuição ajudaria, inclusive, no combate à violência e à insegurança, muito sentidas nas periferias. A saída para a Segurança Pública, de acordo com o postulante, é realizar uma ação cooperada entre Prefeitura, Governo do Estado, Presidência da República e ONGs internacionais, além do debate com o empresariado. “Esse é um chamado para a cidade, não para o prefeito somente”, disse. A participação dos empresários, entretanto, seria essencial.
“Depois, vamos ter uma classe média, classe média alta e os ricos da cidade chateados porque a cidade está violenta? Qual a parcela que o nosso empresariado está dando para ajudar a distribuir a riqueza da nossa cidade e mitigar as taxas de violência? Ou vocês estão querendo afirmar a tese de que violência não está diretamente ligada à taxa de desigualdade social que temos, que é brutal e violenta?”, completou.
CRIMINALIDADE
Sanar o déficit habitacional, segundo Técio, seria uma das principais ações para resolver o problema da Segurança Pública, questão que, segundo ele, deve ser liderada pelo prefeito. Outra política proposta pelo candidato é o da “asfixia financeira do crime organizado”, a partir do entendimento do crime organizado como uma indústria. “Existem estudos sérios que apontam que droga é uma indústria que fatura bilhões. Há, inclusive, estudos que apontam que, depois da indústria petrolífera, as drogas são o segundo mercado internacional que mais gera dinheiro”.
A proposta de Técio é utilizar a inteligência, a ser implantada na Secretaria Municipal da Segurança Cidadã (Sesec), para tratar sobre a perspectiva do financiamento do mercado de drogas em Fortaleza, cidade que tem sido utilizada como rota para o tráfico de drogas à Europa e aos EUA. “Um setor de inteligência para poder ajudar a entender e mapear como essas organizações funcionam, e fazer um trabalho cooperado junto à Polícia Civil e Polícia Federal para achar soluções factíveis e concretas a esse problema”, explicou.
