O governador Elmano de Freitas (PT) voltou a defender uma pacificação do PT na escolha do nome que representará o partido na disputa pela Prefeitura de Fortaleza. Cumprindo agenda no Cariri durante o fim de semana, o mandatário cobrou, ainda, uma discussão mais abrangente em relação às propostas que serão apresentadas à população. Segundo o governador, o objetivo é que a sigla consiga chegar ao encontro de definição, na segunda quinzena de abril, “com uma candidatura unificando o PT e seus aliados”. O partido tem cinco pré-candidatos na corrida eleitoral e deverá decidir, nas próximas semanas, o representante do bloco. Partidos aliados, como PSB e PSD, por sua vez, cobram mais espaço e “menor concentração de poder” nas mãos do PT, que já tem o Governo do Estado.
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“Em Fortaleza, isso [definição do nome] vai se resolver pela decisão da base partidária. O PT é um partido que prima pela sua base e nós teremos, em Fortaleza, no próximo dia 7, uma votação em que os filiados vão escolher os delegados e delegadas que vão definir a candidatura do PT de Fortaleza”, destacou Elmano em fala com a imprensa, no Cariri, no último fim de semana. São pré-candidatos pelo PT o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão; a ex-prefeita Luizianne Lins; o presidente do PT Fortaleza, Guilherme Sampaio; a deputada estadual Larissa Gaspar; e o secretário especial de articulação do Governo, Artur Bruno.
“É assim que nós sempre fizemos. Vamos dialogar e, se possível, o que eu quero é colaborar para que nós possamos chegar no encontro com uma candidatura unificando o PT e seus aliados. Portanto, com muito diálogo, com muito respeito interno, vamos avançar numa discussão de propostas para o povo de Fortaleza, como aqui na região do Cariri”, finalizou Elmano.
Questionado sobre como conciliar os interesses partidários do PT e dos aliados, Elmano minimiza a situação: “Tenho um ótimo problema. Tenho muitos apoiadores, com muitos aliados. Problema é quem não tem apoiadores e aliados”.
DECISÃO
Neste mês, o Diretório Municipal do PT decidiu, por 42 votos contra e uma abstenção, que a deliberação do candidato ou candidata da legenda à Prefeitura de Fortaleza será decidida durante o encontro de delegados a ser realizado no dia 21 de abril. Dos 46 membros do Diretório, 43 participaram. O presidente do PT Fortaleza, Guilherme Sampaio, destacou, na ocasião, que a decisão foi considerada unânime porque a abstenção não representou um voto contra. No próximo dia 7, em 17 locais de votação, abrangendo todas as zonas eleitorais da cidade, serão definidos os delegados para a escolha. A expecativa é que cerca de 7 mil filiados participem da votação, elegendo 200 delegados.
“O PT governa o Ceará, governa o Brasil. Tem uma expectativa da base aliada do governador Elmano e do povo de Fortaleza. Que o PT se apresente como um contraponto à gestão do prefeito Sarto. O PT já governou três vezes Fortaleza, tem uma presença muito forte na luta política da cidade. Então, quando se tem essa responsabilidade toda, qualquer instabilidade no processo interno de debate, de definição, gera também instabilidade no processo geral, da relação dos partidos da base, na expectativa dos movimentos populares”, ressaltou Guilherme Sampaio, na ocasião.
MAIS ESPAÇO
Partidos que integram a base aliada, no entanto, reivindicam mais espaço e que o nome que represente o bloco na disputa seja de fora do PT. A principal voz a representar essa demanda é do senador Cid Gomes (PSB). Durante o encontro e filiação do PSB em Quixadá, na última quinta-feira (21), o senador destacou que não acha justo um partido possuir a Presidência da República, o Governo do Estado e a Prefeitura da Capital, devido à concentração de poder. O parlamentar lembrou, ainda, que o Ceará tem uma tradição de aliança na indicação de nomes para o pleito.
“Qualquer partido que tenha a Presidência da República, o Governo do Estado e a Prefeitura da Capital, eu acho que é muito poder concentrado. A nossa tradição aqui é de eleição e alianças”, disse. “É razoável que os outros partidos sejam contemplados também”, completou o ex-governador ao destacar que procura aliança para a eleição municipal deste ano na capital cearense. Compõem o arco de alianças partidos como PSD, PSB, Cidadania e MDB. Devido a problemas internos entre o PDT e o PT na escolha do nome que concorreria ao Governo do Estado, ainda em 2022, a aliança entre os dois partidos foi desfeita – cuminando na saída de Cid e outras figuras do PDT rumo ao PSB.
