O ex-governador do Ceará e ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou que o PDT, partido ao qual é filiado, lhe deu autonomia para ele se posicionar como opositor ao Governo de Luís Inácio Lula da Silva (PT). Nesta última semana, ele denunciou o presidente de vender precatórios por R$ 93 bilhões a instituições financeiras. Sua legenda, no entanto, faz parte do arco de alianças do petista e conta, inclusive, com o presidente licenciado do Diretório Nacional, Carlos Luppi, como ministro da Previdência da União. Ciro afirmou ainda respeitar a decisão interna do partido, a qual considera “madura”.
“Foi feita uma reunião e houve uma deliberação. Ainda era durante o enfrentamento ao Bolsonaro, então foi ainda mais legítima a decisão da maioria dos meus companheiros, de se alinhar ao Governo Lula, que, comparado com o Bolsonaro, não há dúvida nenhuma do que tinha que fazer”, citou o ex-governador.
“Entretanto, meus companheiros, ao mesmo passo em que afirmo respeitar a decisão da maioria, me deram de volta essa respeitosa decisão de que eu também sou autônomo”, destacou.
Ainda durante sua fala, Ciro lembrou que foi candidato a presidente por quatro vezes e que tem um projeto diferente para o País do que o de Lula. “Defendo um outro projeto para o País, uma outra lógica de sistema econômico, outro modelo de interlocução política”, disse, lembrando ainda que “o seu negócio” não é simplesmente se posicionar contra o Lula.
Sobre os pontos da economia e do modelo de governança política, o ex-presidenciável afirmou que não há diferença nenhuma do Governo Lula aos governos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) “ou qualquer um” dos antigos chefes do Executivo. “Porque a prevalência do rentismo é a prevalência do conservadorismo e do neoliberalismo ultra-financista em detrimento do desenvolvimento econômico do país”.
“Eu posso mostrar para o senhor com uma caricatura: quem manda na economia brasileira hoje é o Banco Central, e o presidente do Banco Central hoje, chama-se Roberto Campos Neto, nomeado por Bolsonaro. Está lá no Governo Lula no mesmo lugar, qual a diferença?”.
O pedetista lembrou as críticas à gestão de Bolsonaro, mas afirmou que Lula está batendo “recordes” do peelista. “A gente ‘esculhambava’ que o Bolsonaro ficava manipulando o orçamento secreto, com uma roubalheira generalizada… Como é que o Lula governa? Batendo recordes do Bolsonaro. Esse ano, o Lula vai entregar R$ 53 bilhões de reais para a roubalheira, salvo exceções, das emendas. Onde é que está a diferença? No leilão do valor do Bolsa Família? Qual a estratégia? É tudo igual”, completou.
VENDA DE PRECATÓRIOS
No início do mês, Ciro denunciou que o governo Lula estaria envolvido em um esquema ao qual considera de proporções “maiores que o Mensalão e o Petrolão”. De acordo com o ex-governador, o presidente teria vendido R$ 93 bilhões de precatórios para dois bancos do país. “Eles venderam os precatórios para bancos, para poucos bancos, dois bancos, que compraram esses precatórios com deságio de até 50%”, afirmou, à época.
Em vídeo divulgado no Twitter, Ciro pontuou que o pagamento de precatórios ocorreu para favorecer bancos. Ele disse ainda que os bancos tinham “informação privilegiada”. Ao OPINIÃO CE, ele destacou que os únicos órgãos que podem investigar tal denúncia é o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), mas que não tem expectativa de que tal investigação seja levada a frente, citando, inclusive, que já realizou outras denúncias semelhantes durante os governos de FHC e de Bolsonaro.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional instituir um teto para o pagamento de títulos precatórios, após duas PECs serem aprovadas no Congresso. Tal mudança no sistema iria represar o pagamento das dívidas e gerou críticas ao Governo Bolsonaro, o então presidente. À época, o próprio PDT foi quem moveu a ação ao STF para considerar a medida inconstitucional.
