O ministro da Economia e ex-presidenciável, Fernando Haddad (PT), disse em entrevista ao programa Roda Viva, na última segunda-feira (22), que convidou o ex-ministro da República e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), a compor chapa do presidente Lula (PT) em 2018, ainda antes do petista ser impedido de concorrer ao pleito. “Em caso de impedimento [de Lula], que eu considerava provável, seria natural que o Ciro representasse o campo progressista”, continuou. Ciro, no entanto, não aceitou a parceria com o PT e lançou a sua própria candidatura, finalizando em terceiro lugar atrás do próprio Haddad e do então eleito presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu tive uma conversa com o professor Mangabeira Unger na minha casa, em que eu dizia que o Ciro deveria assumir a condição de vice na chapa do Lula”, disse. Filósofo e teórico social, Unger foi conselheiro de Ciro durante as campanhas do ex-governador ao Palácio da Abolição. Haddad continuou. “Mas essa proposta não teve eco. Eu compreendo. Entendo a pessoa não se sentir confortável naquela situação”.
ELEIÇÕES 2018
Em 2018, com o fim do mandato do então presidente Michel Temer (MDB), as eleições para a presidência foram polarizadas. Na ocasião, Lula seria o candidato petista natural para a disputa. No entanto, sua candidatura foi rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por conta da Lei da Ficha Limpa. No ano, o atual presidente cumpria pena em Curitiba-PR, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá-SP, após a Operação Lava Jato. O julgamento do presidente, no entanto, foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) posteriormente, que considerou o Juiz e agora senador Sergio Moro (União Brasil) parcial.
Com a impossibilidade de Lula concorrer ao pleito e sem acordo com Ciro, o PT lançou Haddad. “Para mim não foi sacrifício nenhum, foi uma honra poder representar o presidente Lula e o PT naquela eleição”, disse o agora titular da pasta da Economia do terceiro mandato de Lula. À época, com a divisão de parte do eleitorado da esquerda entre Haddad e Ciro, o representante da extrema-direita, Jair Bolsonaro, foi eleito.
“Segundo, que não era para ser eu o candidato. Eu mesmo tive várias conversas com o senador Jaques Wagner [PT], que sempre foi muito definitivo em dizer: ‘não é para a minha geração, é para a sua geração. Se você entender que você pode ser o candidato, lute por isso’”, completou Haddad, ao Roda Viva.
