Durante pronunciamento na tribuna do Senado Federal, na quarta-feira (22), o senador Eduardo Girão (Novo) anunciou que, junto com outros seis senadores, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de inquérito civil para investigar o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida. O pedido, explicou o senador, visa apurar supostas práticas de improbidade administrativa, notícia-crime comum e de responsabilidade, com o objetivo de embasar um pedido de impeachment do titular.
O senador destacou a perplexidade nacional diante da confirmação de reuniões entre Luciane Barbosa de Farias, esposa de Clemilson dos Santos Farias, apontado como líder do Comando Vermelho no Amazonas, e autoridades do ministério. Segundo o senador cearense, Luciane de Farias se reuniu com dois secretários e diretores do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em um período de três meses. Ele ainda apontou a falta de registro dos encontros nas agendas oficiais do Governo.
“Estão querendo perseguir o jornal O Estado de S.Paulo pelo furo jornalístico que mostrou quem ela é, condenada e transitando serelepe, com muita desenvoltura pelos ministérios do governo Lula”, disse Eduardo Girão.
Além disso, segundo o parlamentar, foi feito pagamento de passagens aéreas e diárias de hotel com dinheiro público para que Luciane participasse do evento organizado pelo Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Girão também mencionou que, de acordo com matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo, investigações realizadas pela Polícia Civil do Amazonas sugerem que a ONG Instituto Liberdade do Amazonas, criada por Luciene de Farias em 2022, é apenas uma fachada para a facção Comando Vermelho ganhar capital político.
“Além dessa denúncia gravíssima, é bom lembrar que, já no início deste governo, o ministro Silvio Almeida se declarou favorável à legalização das drogas, como medida para diminuir a população carcerária, ou seja, ao invés de conter a expansão de um crime que causa dependência e destrói famílias inteiras, ele propõe sua aceitação pela sociedade como algo normal, totalmente diferente do que disse o chefe dele, o [presidente] Lula, durante a campanha, que fez uma carta aos cristãos, se comprometendo a defender a vida plena em todas as suas fases e ser contra as drogas, que os jovens tivessem essa cultura”, concluiu.
DEFESAS
Os ministros Flávio Dino e Silvio Almeida, desde que as notícias sobre Luciane de Farias foram veiculadas, negaram envolvimento com a mesma. A mulher não foi recebida por nenhum deles, sem contar que os assessores desconheciam que Luciane de Farias tinha envolvimento com o crime organizado, principalmente porque a relação das pessoas recebidas em audiência nos ministérios foram cadastradas nos respectivos estados. Em recente visita ao Ceará, Silvio Almeida ressaltou que não existe base legal para abertura de qualquer procedimento criminal.
