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Republicanos pressiona e Domingos Filho corre risco de perder briga pelo comando da Funasa

Domingos Filho é pai do deputado federal Domingos Neto e foi indicado pelo PSD para assumir o comando da Fundação Nacional, tradicionalmente controlada por partidos do Centrão
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O presidente do PSD no Ceará, ex-governador Domingos Filho, acompanha com preocupação as movimentações em Brasília e pode perder a briga pelo controle da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Lula negocia um pacote com o Centrão para angariar apoio no Congresso. A bancada do PSD na Câmara vê com cautela a possibilidade de a Fundação ser entregue ao Republicanos, conforme reportagem publicada pelo Jornal O Globo nesta terça-feira, 19. O PSD tem feito reiterados pedidos ao Governo Federal para indicar o comando do órgão e chegou a recolher assinaturas de deputados para apresentar o nome de Domingos Filho. Ainda assim, integrantes do Republicanos e do PP, do Central, dão como certa a escolha do nome.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já havia afirmado que “a Funasa faz parte do acordo com o Republicanos”. Hoje o órgão está sob um comando interino e em processo de reestruturação. Em 2022, o orçamento era de R$ 3 bilhões.

O chefe da Casa Civil, Rui Costa, o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), e outros deputados da legenda chegaram a pedir que Domingos Filho seja escolhido para o cargo, considerando que o PSD tem pouco espaço no governo Lula. O partido também queria o Ministério do Turismo e o comando da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além da Funasa. Em vez disso, a legenda recebeu o comando do Ministério da Pesca, comandado pelo ex-deputado André de Paula. Já a bancada do PSD no Senado emplacou Alexandre Silveira no Ministério de Minas e Energia e Carlos Fávaro na Agricultura.

Ainda que Domingos Filho tenha a preferência da bancada, o PSD na Câmara também se sentiria contemplado se Virgínia Veloso, mãe da senadora Daniela Ribeiro (PSD-PB) e do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), fosse a escolhida.

“A Funasa ficar com o Republicanos não é um problema, contanto que os ministérios do PSD sejam contemplados com orçamento para realizar políticas públicas e sociais. Os orçamentos dos ministérios do PSD precisam ser reforçados para atingir o objetivo definido pelo presidente”, pondera o deputado Otto Filho (PSD-BA).

Se a Funasa for para o Republicanos, outros parlamentares do PSD dizem, no entanto, que haverá um mal-estar na Câmara e que grande parte da bancada se sentirá desobrigada a apoiar os projetos de interesse do Palácio do Planalto.

ACORDO COM O CENTRÃO

O comando da Funasa está dentro de um pacote negociado entre Governo Federal e Câmara para aumentar a base de apoio de Lula. Por isso, André Fufuca (PP) foi escolhido ministro dos Esportes, e Silvio Costa Filho (Republicanos) do Ministério dos Portos e Aeroportos. Uma outra parte do pacote ainda não foi concretizada, como a escolha da Funasa. O PP também deve indicar o comando da Caixa e as vice-presidências distribuídas entre outros partidos que são próximos de Lira. A Fundação é tradicionalmente controlada por partidos do Centrão e nos últimos anos foi turbinada com emendas para atender às bases dos parlamentares. Ao assumir a Presidência, Lula decidiu extinguir a Fundação e redistribuir as principais funções para o Ministério das Cidades, mas a medida não foi aceita pelo Congresso, que agiu para fazer com que a medida provisória sobre o assunto deixasse de valer.