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Ronivaldo tem semana decisiva para sua continuidade ou saída do partido e do mandato, na CMFOR

Acusado de tentativa de feminicídio, em processo judicial também, vereador Ronivaldo Maia ainda não sabe seu destino político....
Reprodução FLICK CMFOR

Acusado de tentativa de feminicídio, em processo judicial também, vereador Ronivaldo Maia ainda não sabe seu destino político. Cassação e desfiliação definitiva do PT são riscos

Ingrid Campos
ingrid.campos@opiniaoce.com.br

Esta semana é uma das mais importantes para o vereador Ronivaldo Maia (PT), acusado de tentativa de feminicídio. Hoje (12), o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR) decide se segue ou não com o processo contra ele protocolado na Casa, após recebimento do parecer do relator Dr. Luciano Girão (PP). Em outra instância, nos próximos dias, a Comissão de Ética do PT estadual recebe a defesa de Ronivaldo para dar prosseguimento à análise do seu vínculo com o partido.

A equipe do vereador deve apresentar testemunhas, provas ou depoimentos que indiquem sua inocência no caso. Depois do recebimento do apanhado pela defesa, a comissão da legenda fará uma reunião para analisar o conteúdo apresentado. Com base nisso, deve elaborar um relatório conclusivo já recomendando a desfiliação imediata ou outra penalidade ao parlamentar dentro do partido. Com esse documento pronto, o diretório estadual é convocado para decidir o destino de Ronivaldo no partido.

Segundo o presidente do PT-CE, Antônio Filho (Conin), esse processo não levará mais que 30 dias. Já o processo administrativo em curso no Legislativo Municipal deve levar mais que isso para ser concluído. O conselho de ética analisa, hoje, se seguirá ou arquivará a análise sobre a cassação do vereador, pedido feito pela bancada do Psol na Casa, formada por Gabriel Aguiar e o mandato coletivo Nossa Cara (Adriana Gerônimo, Louise Santana e Lila M. Salu), no início de fevereiro.

Nenhum dos dois processos, contudo, considerarão decisões judiciais sobre a situação. Isso porque, como são espaços diferentes, a metodologia de análise e o mérito também devem ser diferentes. A Justiça Estadual remarcou uma audiência de instrução para ouvir das duas partes somente em maio. Mesmo assim, o desfecho do caso Ronivaldo em qualquer uma das três instâncias pode acarretar em perda de mandato. Na Câmara Municipal, se o colegiado decidir, hoje, pelo sim, “o relator designará, desde logo, o início da instrução, determinando a cientificação do vereador acusado, mediante notificação, para que dentro de 15 dias apresente defesa prévia, por escrito, indique as provas que pretende produzir e arrole testemunhas até o máximo de dez dias”, diz Danilo Lopes, presidente do Conselho de Ética.

Após a apresentação da defesa, “o relator procederá às diligências e às investigações requeridas, no prazo de dez dias, prorrogável por igual período, a seu critério, vedada mais de uma prorrogação”, prossegue. Após essa etapa, as partes terão dez dias para as alegações finais, que levarão à emissão de um parecer final após o mesmo período já com um posicionamento sobre o caso. Nessa ocasião, o relator Luciano Girão também deve sugerir a sanção cabível – que pode ser cassação ou não. Esse documento será prontamente ao presidente da CMFOR, Antônio Henrique, para a sua execução.

PUNIÇÕES POSSÍVEIS
De acordo com o Código de Ética da Câmara Municipal de Fortaleza, além da cassação do mandato, o vereador pode ser submetido a advertência verbal, advertência escrita, suspensão de prerrogativas regimentais ou suspensão temporária do mandato (entre 30 e 90 dias) com perda de cadeiras na Mesa Diretora ou nas comissões da Casa. Essas punições, conforme o texto, podem ser aplicadas se o parlamentar: desrespeitar os princípios fundamentais do estado democrático de direito; paticar, induzir ou incitar, em Plenário ou fora dele, a discriminação em razão de gênero, origem, raça, cor, idade, condição econômica, religião, orientação sexual e quaisquer outras contra seus pares ou cidadãos; praticar irregularidades tipificadas como crimes no desempenho do mandato ou de encargos dele decorrentes.

VÍNCULO COM PT
Logo após vir à tona da prisão preventiva de Ronivaldo Maia, no fim de novembro de 2021, por suposta tentativa de feminicídio, o PT suspendeu a sua filiação e emitiu nota sobre o caso e constituiu uma comissão paritária no âmbito do partido, com representação igualitária de homens e mulheres, para apuração disciplinar dos fatos. A comissão ouviu o vereador e a vítima, uma mulher de 36 anos que teria sido atropelada por Ronivaldo, e colheu informações sobre o caso, finalizando um relatório em janeiro e encaminhando-o à executiva estadual da legenda logo em seguida.

Nesta instância, foi instalada uma comissão de ética, que deve receber retorno da defesa no parlamentar nos próximos dias. Dentro de um mês, a sigla decide se quebra o vínculo com Ronivaldo em definitivo.
Questionado sobre se o vereador poderia perder o mandato caso seja expulso do partido, Conin disse que “isso aí é com a Justiça Eleitoral.”

CASSAÇÃO
Pouco mais de dois meses após vir a público a suposta tentativa de feminicídio por parte de Ronivaldo, a bancada do Psol na Câmara Municipal protocolou um pedido de cassação do mandato do vereador na Casa. O processo foi encaminhado ao departamento jurídico da CMFOR que, após um mês de análise, deu aval ao presidente da Câmara, Antônio Henrique (PDT) direcionar a pauta ao Conselho de Ética. O colegiado foi instalado no último dia 23 e o relator do caso, Dr. Luciano Girão, encolhido na mesma semana. Girão teve dez dias para elaborar o parecer sobre a situação, que será analisado hoje pelo conselho. Os membros do colegiado – composto, ainda, por Professor Enilson (Cidadania), Júlio Brizzi (PDT), Cláudia Gomes (PSDB) e Didi Mangueira (PDT) – devem decidir pelo arquivamento ou prosseguimento do processo.

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