O OPINIÃO CE conversou com especialistas que analisam qual deve ser a postura do pré-candidato e como a liderança do partido pode mexer com a base governista
Rodrigo Rodrigues
rodrigo.rodrigues@opiniaoce.com.br

Capitão Wagner, principal nome da oposição no Estado, ficou com o comando estadual do União Brasil no Ceará, anunciou nesta quarta-feira, 16. A definição, que já era dada como certa pelo grupo, mexe com o xadrez eleitoral e antecipa a corrida pela formação de alianças partidárias de olho no Palácio da Abolição.
Segundo Wagner, há conversas adiantadas de alianças com ao menos cinco partidos que apoiariam sua candidatura: Podemos; PTB; PSC; Avante e Pros. Outra sigla com quem é mantida conversa é o PL, agremiação do presidente Jair Bolsonaro.
Ao OPINIÃO CE, especialistas analisaram qual deve ser a postura do pré-candidato e como a confirmação da liderança no União Brasil, disputada também pelo empresário Chiquinho Feitosa, que está em busca de outro partido que não o União e é aliado dos Ferreira Gomes, pode mexer com a base governista.
Para o professor de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Emanuel Freitas, o principal é a confirmação do União Brasil na oposição no Ceará. O especialista explica que Wagner aglutina tanto nomes “bolsonaristas” como “não-bolsonaistas”, ligados principalmente ao ‘‘antiferreirismo’, o que mexe com a lógica na formação das chapas.
“O comando [do grupo] vai passar pelo Wagner, e isso enfraquece possíveis alianças individuais no bloco governista”, explica. Um exemplo da análise trazida é o deputado estadual Heitor Férrer (SD), que deve se filiar ao União Brasil. Em declaração à reportagem, o parlamentar enfatizou que estará no grupo capaz de derrotar os Ferreira Gomes.
Para Emanuel Freitas, Wagner consegue representar essa bandeira ao ficar à frente do partido com o maior fundo eleitoral e maior tempo de televisão do País. “É um partido que vai se fortalecer e crescer numa discussão contrária aos Ferreira Gomes. Talvez seja a sigla que melhor reúne a cara de oposição contra os Ferreira Gomes no Estado.”
CENÁRIO MACRO ESTADUAL
Na avaliação do professor, o anúncio também pressiona a definição de um nome no bloco governista. Atualmente, disputam a cabeça de chapa os pedestistas Izolda Cela (vice-governadora); Roberto Cláudio (ex-prefeito de Fortaleza); Evandro Leitão (presidente da Assembleia Legislativa do Ceará) e Mauro Filho (deputado federal).
“A gente tá vendo o PL sinalizando que terá candidatura própria [Raimundo Matos]; a Adelita pelo PSOL e que tem certo apoio de um setor do PT e agora do Wagner como grupo político. A indecisão do PDT para definir um nome começa a preocupar”, destaca. Já a cientista política Carla Michele Quaresma entende que o grupo governista segue o modelo de definição de eleições anteriores, como em 2020 com o prefeito José Sarto (PDT).
“A estratégia dos Ferreira Gomes tem sido o lançamento da candidatura na reta final. Eles entendem que, quanto mais cedo se lança o nome, mais cedo esse nome fica suscetível a críticas. É uma ação exitosa, ao meu ver. Já devem ter o nome escolhido mas ficam adiando para evitar um certo desgaste antes do tempo”, pondera.
Publicamente, a sigla diz que a definição se dará mais para frente, em julho. Para a especialista, a definição da liderança estadual gera “mais capilaridade e arregimenta outras figuras políticas” no Estado, principalmente em colégios eleitorais importantes, como Maracanaú.
“Obviamente, isso também pode gerar outros desafios, como na campanha presidencial que vai exigir um posicionamento [do Wagner], mas é provável que ele faça um discurso mais equilibrado. Ele atua, em alguns momentos, mais alinhado ao presidente Bolsonaro, mas também não deixa de ter uma posição crítica em outros”, frisou.
Em um eventual segundo turno presidencial com Bolsonaro, acredita Carla Michele,Wagner “vá se posicionar de forma mais clara.” A analista pondera, no entanto, que “Bolsonaro seria muito mais favorecido do que o Wagner” em caso de apoio público, dada a “dificuldade histórica” que o presidente tem de se viabilizar no Ceará.
Próxima semana
Na próxima semana, o União Brasil deve realizar um evento de filiação no Ceará com a presença de lideranças nacionais. Data e local ainda serão divulgados. São aguardados nomes como dos deputados estaduais Soldado Noelio (Pros), Fernanda Pessoa (PSDB) e Tony Brito (Pros); e federais Danilo Forte (PSDB) e Vaidon Oliveira (Pros). Outra liderança esperada é o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PSDB), pai de Fernanda Pessoa.
