Menu

CPI do Motim entra em nova fase e vai ouvir policiais e bombeiros

Após reunião ontem, deputados aprovaram solicitação de oitivas para esclarecimentos dos fatos. Cronograma está em construção Rodrigo Rodrigues...

Após reunião ontem, deputados aprovaram solicitação de oitivas para esclarecimentos dos fatos. Cronograma está em construção

Rodrigo Rodrigues
rodrigo.rodrigues@opiniaoce.com.br

Comissão é presidida pelo deputado estadual Salmito Filho (PDT) (Foto: Junior Pio/ALCE)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta para investigar o suposto uso irregular de recursos de associações ligadas à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, que ficou conhecida como “CPI do Motim”, iniciou uma nova fase de investigação.

Nesta terça-feira, 15, a comissão aprovou dois requerimentos de parlamentares solicitando oitivas de policiais e bombeiros militares, além de funcionários ligados a associações. Conforme o presidente da CPI, deputado Salmito Filho (PDT), as primeiras oitivas marcam uma nova fase das investigações.

As oitivas ainda não têm data marcada para ocorrer e, de acordo com a comissão, estão dentro de um calendário que está sendo construído. “Estamos construindo uma agenda”, explicou ao OPINIÃO CE o presidente. Segundo o deputado, as reuniões ordinárias nesta nova fase seguirão ocorrendo às terças-feiras, pela manhã.

“No entanto, é possível haver reuniões extraordinárias em dias e horários diferentes”, ponderou. Conforme Salmito, o objetivo do novo momento é ouvir membros das associações, funcionários e outros representantes que possam “esclarecer dúvidas” e ajudar os deputados a separar o “joio do trigo no que diz respeito às formações de motim.”

Esta foi a primeira reunião pública após o início dos trabalhos legislativos de 2022, em fevereiro último. Durante o recesso parlamentar, não foram realizadas atividades. O fato, inclusive, gerou críticas de nomes da oposição. A CPI foi instaurada em agosto de 2021 para investigar se foram utilizados indevidamente recursos de associações militares nos motins de 2012 e 2020. Pela legislação brasileira, militares são proibidos de realizarem atos de “sindicalização e greve.”

Desde o início dos trabalhos, o clima tem sido de embate entre situação e oposição. O principal nome deste último bloco, o deputado federal Capitão Wagner, e transição do Pros para o União Brasil, é inclusive apontado como tendo participação nos movimentos.

Publicamente, o parlamentar nega as acusações. Recentemente, o assunto ganhou novo fôlego. Na última semana, o governador Camilo Santana (PT) criticou o adversário político durante o evento de lançamento do Programa de Prevenção e Redução da Violência (PReVio).

“Que contribuições ele tem dado nessa área, como deputado federal? […] A única contribuição foi fazer dois motins.” No mesmo dia, o deputado federal respondeu, em uma live nas redes sociais: “o governador não foi honesto, agiu de má-fé, propositalmente, quando se referiu a mim.”

Especialistas ouvidos recentemente pela reportagem destacam que a temática deve ganhar ainda mais força com a aproximação das eleições de outubro próximo e que a “CPI do Motim” será usada como palco para reverberar os discursos de ambos os lados. O presidente da comissão, por outro lado, vem destacando que os assuntos serão conduzidos com imparcialidade.

REQUERIMENTOS
Os requerimentos aprovados ontem são dos deputados Marcos Sobreira (PDT) e Elmano de Freitas (PT). Na primeira solicitação constam os nomes dos policiais Tancredo Augusto Almeida Filho, Marcos Webster de Oliveira Barroso; Valdeymilson de Oliveira Mendes; e Ranielly dos Reis Souza, funcionária da Associação dos Profissionais de Segurança. Já no requerimento de Elmano estão os policiais Clayber Barbosa Araújo, Francisco David Silva Barbosa, e Elton Régis do Nascimento; e dos bombeiros Diego de Oliveira Gomes e Antonio César Madeiro Lessa.

Composição da CPI
Titulares: Salmito (PDT) – presidente; Queiroz Filho (PDT) – vice-presidente; Elmano Freitas (PT) – relator; Soldado Noelio (Pros); Davi de Raimundão (MDB); Romeu Aldigueri (PDT); Augusta Brito (PCdoB); Nizo Costa (PSB) e Marcos Sobreira (PDT).

Suplentes: Delegado Cavalcante (PTB), Edilardo Eufrásio (MDB), Jeová Mota (PDT), Guilherme Landim (PDT), Oriel Nunes Filho (PDT), Diego Barreto (PTB), Osmar Baquit (PDT), Guilherme Sampaio (PT) e Tin Gomes (PDT).

Deixe um comentário