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24 de julho de 2024

PMs e ex-parlamentar são presos em Canindé em operação contra extorsão e lavagem de dinheiro

Existe em Canindé uma organização criminosa que pratica agiotagem, lavagem de dinheiro, além de extorsão e ameaça
Foto: Divulgação/MPCE

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Seis pessoas foram presas, na manhã desta quinta-feira, 24, em Canindé, no Sertão Central, suspeitas de envolvimento em crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os presos estão três policiais militares, uma empresária do ramo de postos de combustíveis, um guarda de segurança patrimonial, um ex-vereador e a esposa dele. As prisões, quatro preventivas e duas temporárias, são resultado da Operação São Francisco. O grupo criminoso, que teria começado em 2019, segundo relatório do Conselho do Controle de Atividades Financeiras (Coaf), teria movimentado, ilicitamente, cerca de R$ 8,2 milhões.

Também foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Na ocasião, foram apreendidos três veículos de luxo e R$ 15 mil em espécie e quatro armas de fogo. Além da busca e apreensão, a Justiça, após pedido do MPCE, também determinou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, bancário e de informática dos suspeitos, e bloqueio de possíveis valores que estes tivessem em contas bancárias.

A ação foi desencadeada em conjunto pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), pela Delegacia de Assuntos Internos (DAI) da Controladoria Geral de Disciplina (CGD), Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), da Polícia Federal (PF); e pela Coordenadoria de Inteligência (Coin), vinculada à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS).

INVESTIGAÇÃO

De acordo com as investigações do MPCE, coordenada pelo promotor de Justiça Jairo Pereira Pequeno Neto, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Canindé; da PF, por intermédio do coordenador da Ficco, delegado Igor Conti; e da DAI da CGD, existe, em Canindé, uma organização criminosa que tem praticado agiotagem, lavagem de dinheiro, além de extorsão e ameaça.

Os trabalhos tiveram início com a denúncia de uma integrante do esquema que, posteriormente, passou a ser extorquida pelo grupo criminoso para que pagasse valores emprestados a pessoas indicadas por ela ao líder da organização. O grupo criminoso seria liderado por um cabo da Polícia Militar, o qual estaria emprestando dinheiro a juros exorbitantes e, posteriormente, ocultando os valores recebidos de forma ilícita. A organização criminosa contava com outros integrantes, que exerciam outras funções no esquema.

A operação recebeu o nome de São Francisco em virtude de os crimes terem sido cometidos no município de Canindé, conhecido nacionalmente por ter aquele santo como padroeiro e ser destino de fiéis devotos de São Francisco das Chagas. Os agentes que trabalharam nas investigações identificaram operadores de agiotagem, laranjas e indivíduos responsáveis pela lavagem de dinheiro para o grupo.

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