Poucos dias antes do comunicado da Igreja de Fátima, em Fortaleza, de proibir intenções para políticos em missas, o Papa Leão XIV pediu que católicos evitem usar categorias políticas para falar sobre fé e reforçou que a Igreja “não pertence a nenhum partido”.
O posicionamento do pontífice ocorreu durante uma conexão virtual com cerca de 15 mil jovens reunidos na Conferência Nacional da Juventude Católica dos Estados Unidos, realizada em Indianápolis entre quinta-feira (20) e sábado (22) da semana passada.
No encontro, o Papa respondeu perguntas sobre temas como saúde mental, amizade, tecnologia, inteligência artificial e o futuro da própria Igreja. Antes de iniciar o diálogo, ele recordou o Jubileu dos Jovens, celebrado em Roma em julho, e elogiou o espaço dedicado à adoração, à missa e à confissão no evento norte-americano, classificando esses momentos como “oportunidades concretas para encontrar Jesus”.
Ao falar sobre o futuro da Igreja, o Santo Padre fez um alerta: aprofundar a amizade com Jesus exige maturidade espiritual e distância de disputas ideológicas. “Cuidado para não usar categorias políticas para falar sobre fé”, advertiu. Segundo ele, os discípulos devem ser “agentes de paz que constroem pontes, e não muros”, valorizando diálogo e unidade.
Decisão em Fortaleza busca preservar “neutralidade” nas celebrações
Poucos dias após essa fala, o Santuário de Nossa Senhora de Fátima divulgou que deixará de aceitar intenções de missa registradas em nome de políticos. A medida, segundo o pároco padre Francisco Ivan de Souza, “nasce do desejo de preservar o espírito de unidade, oração sincera e neutralidade”, garantindo que o altar permaneça um espaço exclusivo de encontro com Deus, “livre de qualquer expressão que possa gerar divisão ou interpretações inadequadas”.
O sacerdote ressaltou que a comunidade seguirá acolhendo intenções pessoais, familiares e comunitárias, mantendo o compromisso de rezar “pelas necessidades de cada fiel”. Pela liturgia católica, a intenção de missa é um pedido de oração por alguém vivo ou falecido, ou um gesto de agradecimento por graças alcançadas.
A decisão, anunciada às vésperas de mais um ano eleitoral, conversa diretamente com o alerta recente do Papa Leão XIV. Em um momento de grande polarização, manter a fé distante das disputas políticas é, para a Igreja, um caminho para evitar divisões e reforçar sua missão espiritual.
