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23 de julho de 2024

Paguei as contas e sobraram R$ 200 para alimentação. E agora?

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Repórter do OPINIÃO CE narra experiência em compras de supermercado. Entre os corredores, produtos com preços elevados e necessidade de deixar para trás alimentos necessários para o dia a dia

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Com verba reduzida para gastos com alimentação, substituições são realizadas, segundo experiência da jornalista Priscila Baima (Foto: Natinho Rodrigues)

Fechou fevereiro e eu consegui pagar água, luz, Internet, Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA), de maneira parcelada, aluguel e meio tanque de gasolina. Mas cadê a parte do supermercado? Só sobraram R$ 200 para comprar alimentos para 15 dias.

E foi com essa sensação – a de fazer um verdadeiro malabarismo para alimentar a mim e a minha família – que fui ao supermercado. Atualmente, eu moro com minha mãe, pessoa com deficiência, e meu irmão mais novo, com quem também divido algumas contas.

Chegando lá, limpei o carrinho com álcool em gel, ajustei minha máscara, abri a lista de compras e segui para o primeiro corredor do supermercado: o das frutas e verduras. Dentro do carrinho, coloquei banana, maçã, cebola, alho, batata, cenoura e, por último, tomate. Só três. Não deu para levar mais desta vez.

Em seguida, vou para o corredor onde ficam os não perecíveis. Escolhi dois pacotes de arroz, um de feijão e dois de macarrão. Também coloquei o óleo de cozinha, mas quase não levei. A maioria de boa qualidade estava de R$ 20. Preferi o mais barato, de R$ 8.

Lá em casa, todo mundo ama café. Anos atrás, levávamos de oito a 10 unidades. Atualmente, só dá para levar no máximo três, todos a quase R$ 10. E tem sido assim tem algum tempo. Por conta do aumento do preço do café, substituímos, quando falta, pelo café solúvel, que estava pela metade do preço. Peguei uma unidade.

Depois, me dirigi ao corredor dos frios. Pelos meus cálculos, só dava para levar uma manteiga de 200g. Para três pessoas, é muito pouco. Optei por levar, também, uma margarina. Saiu por quase R$ 6. No carrinho, também coloquei 2 litros de leite, em caixa. Em seguida, peguei o leite em pó, mas tive que optar por levar o mais barato, que estava a R$ 27.

Outro corredor por qual tive que passar foi o setor de carne, peixe e frango. O coxão mole estava saindo por R$ 39 o quilo, enquanto que a bandeja de peito de frango estava por R$ 15,99. Levei o frango. Também escolhi um pacote de bacon para temperar o feijão, custando quase o preço da bandeja, a R$ 13.

Por último, peguei uma bandeja com 20 ovos, que estavam custando R$ 11,95. Um preço até em conta em relação ao mês passado. Lembrei também, já perto do caixa, que estava faltando sabão em pó e amaciante. Coloquei uma unidade de cada. Na minha frente, tinha uma senhora que, aparentemente, estava fazendo o supermercado para a família com itens básicos, mas que sobrava espaço no carrinho, assim como no meu.

MOMENTO DO CAIXA, OU SEJA, DE PAGAR
Chegou a minha vez de passar as compras no supermercado. Não tenho clube de desconto. Primeiro passei os perecíveis e depois os não perecíveis. De zero a 100 reais em 4 minutos e meio de bipe. Subiu para 150 reais e ainda faltavam alguns itens para fechar e pensei “não vai dar de novo.”

A conta total foi de R$ 211,05. Precisei tirar o sabão em pó e o amaciante. A atendente perguntou se eu queria parcelar. Perguntei se era comum as parcelas para compras nesse valor, e ela disse que sim. Pessoas parcelam R$ 200, R$ 300, R$ 500 em compras. Optei por pagar à vista.

Mais uma vez, saí sem o molho de tomate e o sorvete de que gosto tanto. Também não pude levar a aveia e o iogurte diet da minha mãe, que tem diabetes e precisa comer de três em três horas para regular as taxas de glicemia. Entro no carro e a sensação é de não ter comprado quase nada, foram seis sacolas com produtos que só vão durar para a primeira quinzena do mês de março, pelos meus cálculos. A nossa “mistura” será para dois dias. Para o restante do mês, serão ovos e tudo que pudermos fazer com eles, que também não durarão até o final do mês.

Acho que a sensação que eu senti é também a de muitas pessoas ao ir ao supermercado comprar o básico para se manter durante 15 dias. Para tentar sanar a falta de alimentos básicos, eu encontrei duas saídas que são indicadas por economistas: a substituição de itens que costumava consumir antes pelos mais baratos e escolher o que é prioridade. É assim que sigo fazendo com minha listinha quinzenal de itens. Na próxima, quem sabe, consigo levar uma boa carne ou uma sobremesa para adoçar dias tão difíceis para o nosso bolso.

 

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